domingo, 21 de abril de 2013

UM POETA MARCADO PELO INSÓLITO


Árvores  - Praça B. Constant ( foto: elaine borges)
 De Mattew Rohrer (*)

ALGUM CARA DISSE que Wittgenstein provou que não há pensamento sem linguagem.

Wittgenstein nunca viu um passarinho ou um urso.
Árvores balançavam no parque e suas copas se encostavam com ternura.
Mesmo sendo o mais novo, eu sou o professor!
Corvos gritam para mim no telhado e não conseguem pousar.
Acordo indistinguível da manhã deslavada.
Tudo que sou é pensamento sem linguagem.

(*) Matthew Rohrer é um poeta americano que descobri lendo a revista Piauí ( número 77, fevereiro de 2013).  Ele nasceu em 1970, no Michigan e cresceu em Oklahoma. Sobre ele, escreveu Eucanaã Ferraz na citada revista: “nada é excepcional quanto aos temas – acontecimentos cotidianos, passagens comuns, cenas e ambientes urbanos em flashes em que a natureza parece emergir da memória; o mesmo se dá com a forma – sintaxe clara, escolha vocabular descomplicada e tom decididamente coloquial. De tudo isso resulta, no entanto, um universo extravagante . O leitor logo percebe que está diante de significados movediços, construídos por frases instáveis, combinações estranhas e vazias. Trata-se, sem dúvida, de uma escrita marcada pelo insólito: se nada escapa da esfera cotidiana, o trivial vê-se inteiramente entrelaçado com a imaginação e a liberdade”.


4 comentários:

  1. É sempre um prazer viajar pelo teu blog. Saudades dos amigos e desta ilha tao linda...

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  2. Fátima amiga, há quanto tempo, hein!? Muitas saudades também.
    Beijos

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  3. Respostas
    1. Obrigada, Ju. Elogios assim me deixam bem gabola.
      Beijo

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