domingo, 22 de fevereiro de 2009

LAGOA DOS MEUS SONHOS

Reprodução TVBV

Se faltou mais samba no pé dos integrantes da Escola de Samba União da Ilha da Magia, na noite de ontem, em Florianópolis, sobrou emoção. O depoimento foi do responsável pela Harmonia (importado do Rio, mas não registrei o nome), dizendo que muitos integrantes da escola desandaram a chorar quando entraram na passarela, de tanta emoção. É compreensível: foi seu primeiro desfile como escola de samba (desde 2.000 era apenas um bloco); chovia no início do desfile; e foi a primeira a desfilar. O mais lamentável ainda foi a atitude de uma figurante: dizendo ser uma "estrela", num excesso de exibicionismo permaneceu mais tempo que o necessário na frente da ala das baianas e causou um enorme buraco entre a ala e a bateria. "Quase mandei as baianas atropelarem a moça", disse o suado sambista, ao final do desfile. São figurinhas assim que conseguem prejudicar um trabalho de meses de uma escola estreante que, com o enredo a "Lagoa dos Meus Sonhos", mostrou, como último carro alegórico, a sempre bela Igreja Nossa Senhora da Conceição.  

sábado, 21 de fevereiro de 2009

...É AGARRAR NO BRAÇO E SAIR

Ilustração do Polo (Vozes da Lagoa - 1ª edição) 

CARNAVAL DAQUELE TEMPO 

Nos bailes de carnaval, íamos todos fantasiados.

Os bailes eram no sobrado.

Vinha uma orquestra da cidade.

Os blocos saíam na rua com a

orquestra... homens, mulheres, o povo...

Vinha gente de tudo quanto é lugar.

Tinha baile de carnaval na Barra, no Retiro...

Quem sabia dançar, dançava, mas quem não sabia ia

assim mesmo, embrulhado naquele monte de gente,

porque carnaval

não precisa estar parelhado com a mulher, é agarrar no braço e ir

naquele bolo... eu não perdia nada.

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(1) Do livro Vozes da Lagoa - Elaine Borges, em co-autoria com Bebel Orofino.

O relato é do Zé Simão (1918/2003), lembrando os carnavais do início do século XX na Lagoa da Conceição.

Quanta mudança! 

CENAS DE VERÃO (1)

Posted by Picasafoto: elaine borges

CENAS DE VERÃO (2)

Posted by Picasafoto: elaine borges



domingo, 15 de fevereiro de 2009

O INSTANTE DECISIVO

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Foto: Henri Cartier-Bresson

Domingo, um dos bons programas é ler o Caderno 2 – Cultura, do Estadão, e a Ilustrada, da Folha. Hoje, em especial, li com prazer uma matéria do Luiz Zanin Oricchio sobre o grande fotógrafo do século XX, Henri Cartier-Bresson (1908/2004). Nela comenta o livro lançado pela L&PM do Pierre Assouline – Cartier-Bresson – O Olhar do Século. Assouline é jornalista cultural do Le Monde e, segundo informa Oricchio, mantem um blog literário muito lido na França (http://passouline.blog.lemonde.fr/). E lembra fotos muito conhecidas, como a do alegre menino com duas garrafas de vinho na rua Mouffetard, em Paris, de Sartre, na Pont des Arts, ambas do Cartier-Bresson, “sinônimo de fotografia no século 20 que, contra sua vontade, fundou uma escola e um estilo. A teoria do "instante decisivo", a opção pelo preto-e-branco, a Leica, a recusa ao uso do flash - tudo isso constituiu uma mitologia em torno do homem que elevou a fotografia à condição de arte (teve exposições em Nova York e no Louvre num tempo em que a fotografia era considerada apenas registro técnico)”. Assouline conta que HCB, como é designado na França, não dava importância à técnica, “o preto-e-branco correspondia à sua sensibilidade”. E a câmera Leica, por sua leveza, facilidade no manejo, permitia HCB, discretamente, fotografar o que passava por seus olhos. Segundo Assouline “o importante não é nem o material e nem a técnica. É o olhar”.

É óbvio que já coloquei na minha cestinha de compras o livro do jornalista frances sobre um dos ícones da fotografia mundial. Confesso que uma das grandes emoções da minha vida foi visitar a Fundação Cartier-Bresson, em Paris.



sábado, 14 de fevereiro de 2009

TERMINOU O HORARIO DE VERÃO, UFFF!!

Nunca consegui me adaptar ao horário de verão. Descontrola tudo: sono, leituras, hora de dormir, de acordar... Fico totalmente atrapalhada. Ontem já atrasei todos os meus relógios, e agora, sim, vou regularizar meu ritmo do sono, do corpo, talvez até da alma...

QUE CAMPANHA? É CARNAVAL!!!

Do blog do Frank Maia que "pedi emprestado".

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O FANTÁSTICO MUNDO DE ELI HEIL

Eli Heil
Posted by Picasafoto: elaine borges
Sentada ali, entre as amiguinhas da classe, ela só tinha uma idéia fixa. Fugir rapidamente da sala para curtir seu grande e secreto prazer: chupar aquela chupeta que trazia escondida no bolso da saia. Prestar mesmo atenção nas lições da professora, ela não prestava. A chupeta, aquela pequena bola de borracha encaixada numa argola de plástico, esse era seu grande segredo. Esse sim era seu grande momento de felicidade.
Com seis anos, finalmente sua mãe a convenceu de que, se enterrasse a chupeta no jardim, nasceria uma bela árvore cheia de chupetas.


Essa menininha que não largava o bico, ou chupeta, de jeito nenhum, é a hoje senhora Eli Heil, 80 anos, pintora, escultura, poeta, que, às vezes, desanda a cantar enquanto mostra o seu Museu Mundo Ovo, localizado no Km sete da SC-401, que reúne mais de 2.000 obras. Uma senhora que viaja por um fantástico mundo imaginário e hoje é uma das mais importantes artistas de Santa Catarina.


O relato acima foi parte de seu depoimento que escrevi para o DC, em 1996 (um caderno especial sobre os personagens catarinenses). Naquela época, com 67 anos, Eli estava, como sempre, falante, entusiasmada, relembrando fatos de sua longa vida:

Eu lembro de mim, ainda menina, bem barriguda de tanto comer. Eu era muito gulosa!


A cor é tudo, é a expressão de todo meu sentimento. Cada cor representa o meu sentimento daquele momento... O vermelho tanto é terrível como alegre. Ele vai e volta...


Eu não tenho outra vida. Toda a minha paixão, o meu sofrimento, são minhas pinturas, esculturas, desenhos...


Dizia também que tinha uma mania: dormir com os lábios pintados. E que não suportava ver a filha, Teresa Cristina, “sem um batonzinho nos lábios”.


Pois ontem, Eli recebeu uma grande homenagem: um livro com relatos de sua vida  - Óvulos de Eli – a expulsão dos seres de Eli Heil - organizado por Kátia Klock e Vanessa Schultz, com patrocínio da Fundação Franklin Cascaes, prefeitura de Florianópolis e apoio cultural da Unimed. Foi um belo momento realizado na Biblioteca Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição.

E Eli Heil lá estava, sorridente, feliz, como uma menina que há muito tempo trocou a chupeta pelos pinceis e iniciado uma longa viagem pelo mundo das cores, do verde, amarelo, vermelho, pelos móbiles, objetos, esculturas... Mundo que nós sempre gostamos de, com ela, entrar e percorrer sua fantástica casa-museu.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A PONTE, O MAR, O CÉU

Posted by Picasa foto: elaine borges
O dia terminou assim cá na Ilha: após uma chuvarada típica do verão, as cores tomaram conta do céu. Beleza pura. 

SOBRE LIVROS E FILMES

Há dias não ando por aqui. Fechei o Balaio por algumas semanas e fui mergulhar na leitura (pode ser bobagem, mas recolher-me pra ler me tira fora do mundo virtual). Bom, lendo o que?  Primeiro: um livro policial que “garrei” a ler e só parei quando percorri as 500 e tantas páginas. Foi também uma leitura de sofrimento físico (tenho artrite nas duas mãos e segurar aquele peso, não foi fácil). Nome do livro: Millennium – primeiro volume de uma trilogia do escritor sueco Stieg Larsson. O azar dele é que, após entregar a seus editores a trilogia Millennium, morreu vítima de ataque cardíaco. Tinha só 54 anos e morreu após subir pela escada os sete andares do prédio onde morava. O coração não aguentou. A má notícia é que Companhia das Letras ainda não tem data marcada pra lançar o segundo volume cá no Brasil (pela Europa faz um imenso sucesso – 6. 5 milhões de exemplares vendidos).

Há outras leituras que ando mergulhada: L’Africain, do J.M.G. Le Glézio (emprestado por minha amiga Lenina); O Animal Agonizante, do Philip Roth, um monólogo inteligente de um homem envelhecido que se apaixona por uma jovem aluna (“ser velho significa também que, apesar e além de ter sido, você continua sendo (...) e a consciência de continuar sendo é tão avassaladora quando a consciência de ter sido”).  O roteiro do bom filme Fatal, tem como base O Animal Agonizante. Roth, alias, é um dos melhores escritores norte-americanos. Dele também li (nessa fase de sair do mundo virtual) “Fantasma Sai de Cena”:”Os velhos detestam os jovens? Eles sentem inveja e ódio dos jovens? E por que não”? pergunta o angustiado escritor Natham Zuckerman, personagem da história, um homem doente, que vivia isolada e, ao retornar a Nova York vê sua vida dar uma reviravolta.

Cinema, como sempre, porque a o escurinho do cinema continua insubstituível: “O Curioso Caso de Benjamin Button”, do David Fincher com 13 indicações para o Oscar, inclusive para ator (Brad Pitt) – que também tem como base um conto de F. Scott Fitzgerald, (“Seis Contos da Era do Jazz e outras histórias); “Austrália”, belas imagens, mas com a chata Nicole Kidman: “O Leitor” com a ótima Kate Winslet, de Stephen Daldry (mesmo diretor do As Horas), com cinco indicações para Oscar, um de melhor atriz (se ganhar é mais que merecido): A Troca, com Angelina Jolie, também concorrendo ao Oscar de melhor atriz (torço pela Winslet).

Justifiquei minha ausência por me afastar do Balaio de Siri?

A sábia Baby, minha aliada de sempre, também ficou muito na dela. Só comentou comigo o comentário do Lula, ao dizer em entrevista a revista Piaui, que ler jornais lhe causava azia. E hoje, exaltado, disse não dever à imprensa sua eleição. Ora, ora, pensou minha esperta gatinha, lembrando que sempre viu sua amiguinha de duas patas (eu) lendo montes de matérias onde o hoje presidente era a figura central. Então, era outro Lula? Provavelmente, sim, concluiu, mexendo seus longos fios brancos que ladeiam sua delicada boquinha.