sábado, 25 de julho de 2009

QUE FRIO!!!


Foto: elaine borges

Florianópolis hoje: 8.3 graus de manhã e agora, 13º. Suportar tanto frio só como fez a Baby: enroscada na sua caminha tendo, ao lado, o aquecedor.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

COM O FRIO, NADA COMO REVER BONS FILMES

Das leituras, muitas, faço algumas escolhas. Priorizo leituras dos tantos livros que estão na minha estante, na cabeceira da cama, na sala... Acompanho os blogs de alguns amigos, atualizo o meu (nem sempre com a assiduidade necessária, confesso). No blog do amigo Mosquito leio que a senadora Ideli Salvatti quer censurá-lo e, através de uma juíza, pediu que o "blog do site" seja tirado da internet. Minha reação? Nenhuma surpresa. Da nobre senadora Ideli Salvatti, conhecida por sua veemência na defesa do Lula, José Sarney, José Dirceu, mensalões... o que esperar? Vá em frente Mosquito. Estou do teu lado.

Mas não vou perder meu precioso tempinho, comentando tantas barbaridades que ocorrem por aí: há o nepotismo da família Sarney, da neta que liga pro avô, pede emprego, do desvio de verbas para a ONG do dito no Maranhão...Chega! os jornais, as televisões, os blogs já se encarregam de relatar tanta corrupção, nepotismo... Também não quero citar o Lula, suas declarações de apoio ao homem "incomum" de intocável "biografia".

Recolho-me e quero contar dos filmes que revi na minha casa nos últimos dois dias. Com tanto frio lá fora, vírus da gripe suína à solta, melhor ficar no quentinho do apartamento. A minha amiga de quatro patas não sai do sofá e quase exige que eu ligue o aquecedor. E lá fica, praticamente o dia inteiro. Às vezes sai do sofá, vem até mim, ronrona, me olha, trocamos rápidos diálogos e lá volta ela pro seu cantinho.

Os filmes: primeiro revi "A excêntrica família de Antônia", holandês, Oscar de melhor filme estrangeiro de 1996. Dirigido por Marleen Gorris (nada sei sobre ela). A atriz Willeke Van Ammelrooy é a Antonia e com ela começa a história de quatro gerações de mulheres. O filme, em síntese, é uma "celebração dos prazeres simples da vida". Onde se fala do tempo (" o tempo conquistou o tempo. Apesar de não nascerem tantas crianças quanto na época da Letta (que gerou 12 filhos) havia o bastante para manter o mundo girando. Às vezes o tempo ficava lento como uma tartaruga cansada. Às vezes rompia pela vida como um abutre em busca da presa. O tempo não se preocupou com a vida ou a morte, declínio ou ascensão, amor, ódio ou ciúmes. Ignorou tudo que nos é importante e faz com que esqueçamos dele. E assim, tanto quanto essa crônica (filme), nada se conclui...") e, através dos acontecimentos, da vida que vai passando em uma pequena vila rural no interior da Holanda.

E então, mudei de tema e revi "O Trem", de John Frankenhaimer com Burt Lancaster e Jeanne Moreau. O filme é de 1964. Agosto de 1944, final da Segunda Guerra Mundial, um general alemão ordena que todas as obras primas da pintura francesa (Picasso, Renoir, Degas, Lautrec, Cezanne...) sejam retirados do Museu Jeu de Paume, em Paris (que não mais existe)encaixotados e levados para Berlim por um Trem. Cabe ao Labiche (Lancaster) e seus companheiros sabotar o trecho da ferrovia que leva à Berlim para evitar o roubo. Von Waldheim (Paul Scofield) diz em um momento ao Labiche: "Um quadro significa tanto pra voce quanto um colar de pérolas pra um macaco". Ah, a superioridade ariana!

Também revi nessa semana de frio (gosto de inverno, já disse isso) um outro filme: "Meus Caros Amigos", do genial Mario Monicelli ("Parente... É Serpente", lembram?).

Mas cansei de escrever.

LUZ DE INVERNO

Ponte Hercílio Luz - hoje às 18.20 h (foto: elaine borges)
Frio, muito frio cá na Illha.

terça-feira, 21 de julho de 2009

SE OS ANIMAIS FALASSEM...

Se os animais pudessem falar, o cão seria um tipo disparatado e falador...


...E O GATO NÃO DIRIA UMA PALAVRA A MAIS.


...enquanto que o gato teria o raro dom de nunca dizer uma palavra a mais.
(Mark Twain )

(Acima, Lola, a bela collie, e a minha Baby, sempre no seu mundo).





sábado, 18 de julho de 2009

MEU VINHO INESQUECÍVEL

Há uma historinha na minha vida que muitos já ouviram eu contar. Foi quando, visitando as vinhas da California, tive nas mãos um cabernet sauvignon da vinícola do Francis Coppola. Mas apenas acariciei a garrafa que, por algum motivo, foi para outras mãos sem que eu ao menos provasse uma tacinha. Anos se passaram e eu frustrada. "Não bebi o vinho da casa do Coppola, um dos meus diretores de cinema prediletos", lamentava. Pois - aleluia - no dia 15 (ainda meu aniversário) vivi momentos de grande alegria: bebi, degustei um pinot noir direto da vinícola do Francis Coppola. Foi bebericando este vinho maravilhoso que, com queridos amigos tão amados, terminei minha gloriosa noite.

Portanto, já posso dizer: meu sonho foi realizado! E onde encontrei tão preciosa raridade? Aqui, em Florianópolis, na Adega Varrenõ, na Lagoa da Conceição. Tão perto de mim e eu não sabia.

Sei que tão breve não encontrarei um vinho tão estupendo quanto o que saboreie naquela noite: a cor , o sabor, o aroma... Poderia dizer que "era floral, com notas de magnólia, com boa harmonização" mas soaria falso. Não sou expert. Apenas aprecio um bom vinho. E naquela noite sei que bebi "meu vinho inesquecível", um delicioso pinot noir da vinícola do Coppola.

Um brinde à vida.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

ESTOU NO LUCRO

Elaine Borges (auto retrato)
Naquela manhã de setembro de 1989 a conversa transcorria tranquila: do médico falando à sua paciente. "Em geral, e segundo as estatísticas, quem faz transplante de rim tem sobrevida de dez anos". Lembro que fiquei aturdida, acho que um pouco pálida. O tempo de sobrevida me parecia muito curto. Pensei: "Viver a vida, curtir o que me resta, é o que tenho que fazer". Viver sem mais exigências sabendo que breve minha presença cá na terra só permaneceria na memória das pessoas que me amam. Não chegarei aos cincoenta anos. Mas desmenti as estatísticas. Um dia, lá estava eu festejando meus 50 anos. "Consegui", gritava a plenos pulmões e com imensa alegria. Passei então a contar: mais um ano, mais dois, mais três e eu por aqui, vivendo. Vinte anos se passaram e cá tô eu. Hoje faz vinte anos que ouvi aquela sentença do médico. Houve um momento em que, muito mal no hospital, o padre me deu extrema-unção. Estava preparada pra enfrentar a morte. Ela, de novo, não veio. Ganhei mais uns anos. Há vinte desmenti as estatísticas. Minha irmã, Lena, foi a primeira que me deu um dos seus rins. Mas tive rejeição. Hoje o rim que carrego no meu corpo era de uma menina de doze anos. Adriana, seu nome. E graças a ela continuo viva. Minhas sensações , minha memória, minha alegria de viver não tem preço. Hoje comemoro mais um aniversário: 65 anos. Não escondo minha idade. Festejo. Amo dar um passo na frente do outro. Amo olhar o céu, o mar cá ao meu lado, a bela ponte... Gosto de ver as pessoas sem nome que passam por mim. Gosto de fixar imagens que vejo através da minha câmera. Gosto de fazer o tempo parar através das imagens que fixo com um rápido clic. Eternizo o momento. Escrevo. As letrinhas surgem e frases vão sendo formadas, dando um sentido ao meu pensamento. Imagem e texto. Texto e imagem. Um segue o outro. Ou, às vezes, basta a imagem. Ela é completa. Não há necessidade de explicar. Quero suscitar emoções, prazer. Mostrar, através do meu olhar, como é o mundo que me cerca. Compartilho o meu cotidiano. Se leio um livro, comento. O cinema sempre me ajudou a expandir meu mundo. Da sala escura redescubro sentimentos, vejo histórias de outras vidas. Há sons, imagens, palavras... Vejo imagens em movimento e me sinto bem. Ouço música e minha memória me conduz a outros momentos. Há prazer, há sensações, há emoções, há trocas, há boas conversas com amados amigos...Converso, dou risada, troco, me encanta a vida simples. Pedir mais? impossível. Já ganhei. Estou no lucro.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

JOYCE E OS VIVOS E OS MORTOS


Cartaz do filme Os Vivos e os Mortos (reprodução)

No domingo, ao final da Festa Literária Internacional de Parati ( que acompanhei via Internet) houve uma reunião informal com alguns escritores cujo tema era "Livros de Cabeceira". Cada escritor leu trechos de seus livros prediletos. E a escritora irlandesa Anne Enright (O Encontro, que não li) escolheu, pra meu grande prazer, os últimos trechos do conto Os Mortos, do James Joyce, do Dublinenses (publicado em 1914). Adorei, pois considero esse conto uma pequena obra prima da literatura universal. Há também o filme, Os Vivos e os Mortos, do John Huston, de 1987 (que ele, já muito doente, dirigiu em cadeira de rodas). A história é simples: o casal Gabriel e Gretta participam da festa do Dia dos Reis na casa das velhas tias, Julia e Kate. Eles cantam, dançam, se divertem. O baile na casa das tias é um grande acontecimento. Mas uma música cantada no final da festa faz Gretta lembrar Michael Furey, um grande amor da juventude. E são os sentimentos, as sensações que Joyce descreve magistralmente.

Abaixo transcrevo a parte final do conto, do livro Dublinenses, da Civilização Brasileira, traduzido por Hamilton Trevisan:


OS MORTOS


(...) Ele está morto - disse finalmente. - Morreu quando tinha apenas dezessete anos. Não é terrível morrer tão jovem?
- Que fazia ele? - perguntou Gabriel, ainda com sarcasmo.


(...) Gabriel sentiu-se humilhado pelo fracasso de sua ironia e pela evocação da figura do morto, um garoto da companhia de gás. Enquanto vibrava com íntimas recordações, repleto de ternura, alegria e desejo, ela o comparava com outro. Uma humilhante consciência de si mesmo o assaltou. Viu-se como uma figura ridícula, fazendo de menino travesso para as tias, um sentimentalista tímido e bem intencionado discursando para pessoas vulgares e idealizando seus cômicos desejos: o lamentável pretensioso que vira de relance no espelho. Instintivamente, voltou-se contra a luz, para a esposa não ver o rubor que se alastrava em seu rosto.
(...) - E por que morreu tão jovem, Gretta? Tuberculose, foi?
- Creio que morreu por minha causa.
(...) - Foi no inverno - disse ela - no princípio do inverno, quando estava para deixar a casa de minha avó e vir para o internato e estava doente na pensão em Galway e não o deixavam sair. Sua família, que morava em Oyghterard, tinha sido avisada. Dizem que definhava, ou algo parecido. Nunca soube ao certo.



(... )- Então, chegou o dia em que eu devia deixar Galway e vir para o internato. Ele havia piorado tanto que não me permitiram vê-lo. Por isso, escrevi-lhe uma carta dizendo que ia partir para Dublin e retornaria no verão, esperando encontrá-lo bem melhor.
Parou um instante para controlar a voz e prosseguiu:
- Na noite anterior à partida, estava em casa de minha avó em Nun's Island, arrumando as malas, quando ouvi uma pedra bater na vidraça. Os vidros estavam tão embaçados que não pude ver nada. Desci correndo as escadas, vestida como estava, e dei furtivamente a
volta pelos fundos da casa e lá estava o pobre rapaz, num canto do jardim, tiritando de frio.
- E não o mandou voltar para casa? - perguntou Gabriel.
- Implorei que o fizesse; disse que a chuva ia matá-lo. Respondeu que não queria viver. Lembro-me tão bem de seus olhos! Tão bem! Estava parado perto do muro onde havia uma árvore.
- E voltou para casa?
- Sim. Voltou. E quando fazia apenas uma semana que eu estava no internato, ele morreu e foi enterrado em Oughterar, onde viviam seus parentes. Oh, o dia em que soube que... que estava morto!
Calou-se, sufocada em soluços. Prostrada pela emoção atirou-se na cama com o rosto para baixo, soluçando. Hesitante, Gabriel continuou a segurar-lhe a mão e, então, com pudor de imiscuir-se em sua tristeza, deixou-a cair e caminhou sem ruído até a janela.

Gretta logo adormeceu.


Gabriel debruçou-se na cômoda e contemplou sem ressentimento os seus cabelos emaranhados, a boca entreaberta, ouvindo-lhe a profunda respiração. Então havia esse romance em sua vida: um homem morrera por ela. Quase já não o magoava pensar no pouco que ele, marido, representara em sua vida. Observava-a enquanto dormia, como se nunca houvessem vivido juntos. Seus olhos curiosos fitaram longamente o rosto e os cabelos, e ao pensar em como devia ser ela naquele tempo, no tempo da primeira juventude, uma estranha sincera piedade pela esposa invadiu-lhe a alma. Não ousava dizer, nem para si mesmo, que seu rosto já não era belo, embora soubesse que já não era o rosto pelo qual Michael Furey afrontara a morte.
Talvez não lhe tivesse contado toda a história. Seus olhos moveram-se para a cadeira sobre a qual ela atirara algumas roupas. Um cordel da anágua pendia no chão. Uma bota estava em pé, o cano dobrado para baixo; a outra tombada de lado. Pensou no tumulto que o agitara uma hora antes. De onde surgira aquilo? Da ceia, do tolo discurso, do vinho, da dança, da brincadeira quando se despediam no vestíbulo, do prazer de passear pelo cais sobre a neve? Pobre tia Júlia! Ela também logo seria uma sombra junto às sombras de Patrick Morkan e seu cavalo. Surpreendera esse lúgubre presságio em sua face, quando ela cantava. Muito em breve, talvez, estaria sentado no mesmo salão, vestido de preto, o chapéu de seda sobre os joelhos. Os reposteiros estariam cerrados e tia Kate, sentada a seu lado, chorando e assoando o nariz, contar-lhe-ia como tia Júlia morrera. Revolveria o cérebro à procura de palavras que pudessem consolá-la e só diria frases fúteis e vãs. Sim, isso logo iria acontecer.
O ar gélido do quarto fê-lo estremecer. Deslizou cautelosamente sob as cobertas e acomodou-se ao lado da esposa. Um por um, estavam todos se transformando em sombras. Seria melhor precipitar-se na morte no apogeu de uma paixão, do que extinguir e murchar lentamente com a velhice. Pensou como aquela mulher, adormecida a seu lado, ocultara por tantos anos a imagem do seu amado a afirmar-lhe que não queria viver.

Pranto generoso invadiu-lhe os olhos. Nunca se sentira assim por uma mulher, mas sabia que isto era amor. As lágrimas cresceram nos olhos e ele imaginou ver na penumbra do quarto um jovem parado sob uma árvore encharcada. Outras formas pairavam. Sua alma acercava-se da região habitada pela vasta legião dos mortos. Pressentia, mas não podia apreender suas existências vacilantes e incertas. Ele próprio dissolvia-se num mundo cinzento e incorpóreo. O mundo real, sólido, em que os mortos tinham vivido e edificado, desagregava-se.
Leves batidas fizeram-no voltar-se para a janela. A neve tornava a cair. Olhou sonolento os flocos prateados e negros, que despencavam obliquamente contra a luz do lampião. Era tempo de preparar a viagem para o oeste. Sim, os jornais estavam certos: a neve cobria toda a Irlanda. Caía em todas as partes da sombria planície central, nas montanhas sem árvores, tombando mansa sobre o Bog of Allen e, mais para o oeste, nas ondas escuras do cemitério abandonado onde jazia Michael Furey. Amontoava-se nas cruzes tortas e nas lápides, nas hastes do pequeno portão, nos espinhos estéreis. Sua alma desmaiava lentamente, enquanto ele ouvia a neve cair suave através do universo, cair brandamente - como se lhes descesse a hora final - sobre todos os vivos e todos os mortos.

DESCASO COM A DEMOCRACIA

Do Blog do Noblat:

Os últimos acontecimentos envolvendo a Bancada do PT estão constrangendo a sociedade, visto que demonstra claramente que o Presidente da República e a Chefe da Casa Civil estão querendo impor suas vontades para desqualificar as irregularidades que vêm ocorrendo no Senado.

O Presidente Lula quer esfacelar o Senado para viabilizar o seu projeto eleitoral de 2010, a qualquer preço. E esse descaso com a democracia poderá causar danos irreversíveis à sociedade a longo tempo. O Presidente Lula parece apostar na desmoralização dos poderes da República. Ele insiste em mostrar que as instituições, os valores morais, a modernização do País, a superação das dificuldades, tudo isso não vale nada quando está em jogo a sucessão presidencial. Acaba-se o Congresso. Afunda-se o Congresso, desde que salve o projeto e o propósito dele para 2010.

Da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) hoje à tarde, no Senado.

CERIMÔNIA DO ADEUS


foto: elaine borges


Amanhã finalmente o corpo de Michael Jackson vai ser enterrado. Depois haverá um cerimônia em sua homenagem, em Los Angeles, no local onde ele, dias antes, ensaiava para seu retorno aos shows. Imagino que será um espetáculo de emoções, tristeza e também de muita histeria, de exibicionismo para repórteres, fotógrafos, televisão do mundo inteiro que lá estarão. Michael Jackson sai de cena. A partir de agora - como já vem acontecendo - o que vai se ver serão cenas nada gratificantes: brigas da família pelos bens do cantor, disputas pela guarda das crianças... Já se sabe que a mãe não mais administrará a herança deixada pelo filho famoso. A responsabilidade, de acordo com decisão judicial, caberá aos dois advogados que já orientavam o cantor. Minha amiguinha de quatro patas que me acompanha no meu dia-a-dia, tem visto as notícias sobre o cantor (ela também curte suas músicas) mas nos últimos dias tem preferido apenas olhar meio de soslaio. Depois sai do puf e recolhe-se ao seu cantinho no sofá. No entanto, amanhã ela já me disse: quer ver a cerimônia do adeus a um homem controverso mas um rei, um ícone da música pop.
Que descanse em paz.