domingo, 16 de agosto de 2009

TARDE DE DOMINGO

foto: elaine borges
Domingo ensolarado, calor à tarde, bom pra sair da toca e curtir o sol. Na Lagoa da Conceição, casais, senhoras, crianças... lá permaneceram, curtindo o bom tempo. Mas, a previsão é de que amanhã rajadas de vento soprarão por aqui, com fortes chuvas.

sábado, 15 de agosto de 2009

NAÇÃO WOODSTOCK


Reprodução dos LPs triplos da trilha sonora original do Woodstock

Woodstock foi uma cidade. Sim, foram três dias extraordinários de chuva e música. Não, não foi uma revolução. Foi uma reflexão em tecnicolor manchada de lama. Woodstock também fui eu, Joan Baez, a quadrada, a grávida de seis meses, mulher de um resistente ao alistamento, pregando sem cansar contra a guerra. Eu tinha meu lugar lá. Estávamos nos anos 60 e eu já era uma sobrevivente. Cantei no meio da noite, de pé, na frente dos residentes da cidade dourada que dormiam na lama e nos braços dos outros. Dei-lhes o que pude naquele momento. Eles aceitaram minhas canções. Foi um momento de humildade, apesar de tudo. Eu nunca tinha cantado para uma cidade antes.

Trecho da carta que Joan Baez escreveu para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas antes da exibição do documentário de Woodstock, em 2006.

A canção final do show de Joan foi de tirar o fôlego: sua versão a capela do clássico gospel “Swing Low, Sweet Chariot”. A doce voz de soprano suave como veludo e afiada como uma lâmina, atravessou os pingos de chuva do ar noturno e atingiu de maneira profunda e comovente os corações dos peregrinos cansados diante dela.


Havia a música. A idéia de rejeitar o resto do mundo e viver de maneira natural. Havia a cultura das drogas. A posição contra o governo, especificamente sua política para o Vietnã. E tudo se agrupou naquele momento. É interessante que chamem de Nação Woodstock porque era isso que todos queriam – estar separados, ter sua própria comunidade. E por três dias todos a tiveram. Quando olho para a segunda metade dos anos 1960, percebo que foi o único período em que ouvi falar a sério sobre o amor como uma força para combater a ambição, o ódio e a violência.

Martin Scorsese.


Não penso que Woodstock foi um “milagre” – algo que pode acontecer apenas uma vez. Nem penso que os que dele participaram estabeleceram uma tradição instantânea – uma maneira de fazer as coisas que instituiu um padrão para eventos futuros. Foi uma confirmação de que esta geração tem, e compreende que tem, sua própria identidade.
Ninguém sabe qual será o desdobramento: ainda é muito recente. Em resposta à sua mansidão, penso nas palavras “olhai os lírios do campo...” e espero que nós – e eles mesmos - possamos continuar a confiar na comunidade de sentimentos que fez tantos dizerem sobre aqueles três dia, “Foi lindo”.


Depoimento da antropóloga Margaret Mead à revista Red, em 1970.

Da lama, da fome e da sede, apesar da chuva e dos engarrafamentos do fim do mundo, para além das bad trips das drogas e da confusão extravagante, uma nova nação emergiu sob as luzes que lhe dava a mídia perplexa.

Da revista Rolling Stone, a bem mais sucedida publicação respeitável do rock.

...Mas o problema era que eu estava no palco e não sabia mais o que cantar, então olhei para cima e disse, “liberdade não é o que eles fazem a gente pensar que é, nós já temos. Tudo que devemos fazer é exercê-la, e é isso que estamos fazendo bem aqui”. Então comecei a tocar umas notas procurando alguma coisa e a palavra saiu, “freedom” (liberdade).


De Richie Havens, o primeiro a cantar.

Nenhum tema revelou mais o crescente abismo no país do que o Vietnã. Ao mesmo tempo em que esta geração estava abraçando sexo, drogas e rock’n roll, apreendia a suportar o choque e o trauma dos assassinatos, os distúrbios raciais e a brutalidade policial. Eram essas as nuvens que pairavam sobre Woodstock, e nada tinha a ver com o tempo.
Os hippies dividiam tudo que tinham – comida, salada de cenoura com passas, barracas, um baseado. Quatrocentos e cinqüenta mil, ou seja lá quantos estavam lá, era um organismo vivo de gente. Muitos viram a lama, as coisas feias. Eu só posso dar minha visão do que vi, e o que vi foi uma convergência verdadeiramente harmoniosa. Era o começo da revolução da conscientização em grande escala.

Santana, a grande revelação do Woodstock com sua música Soul Sacrifice.

Há ainda o desempenho antológico de Joe Cocker da música “With a Little Help from My Friends” de Lennon e McCartney e a versão de Jimmi Hendrix para “The Star-Spangled Banner”. Momentos que ficaram na história da música e também um dos eventos até hoje comentados, analisados, estudados, relembrados. Tudo aconteceu em três dias, em agosto de 1969. Há quarenta anos.Três dias memoráveis que fazem parte da história da música e, por que não, da história do século XX.

(Todos os depoimentos são do livro Woodstock – de Pete Fornatale – Editora Agir).

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

ANOITECENDO

foto: elaine borges
Florianópolis, ponte Hercílio Luz: 18h.12 min.

AGRESSÃO À PROFESSORA

A foto do Hermínio Nunes - publicada no seu blog - completa o meu comentário abaixo.

Diz o aviso colocado no portão do IE hoje: "Por motivo de AGRESSÃO a uma Professora não haverá aula na EDA nesta sexta-feira, dia 14/08/09. Os Professores."

TRISTES TEMPOS

Difícil não se indignar e, ao mesmo, sentir imensa tristeza ao ver o rosto da professora do Instituto de Educação, de Florianópolis, cheio de marcas dos tapas e socos que recebeu de uma mãe descontrolada. No dia anterior, sua filha, agredida por colegas, foi defendida pela professora. Hoje, a mãe, totalmente descontrolada, foi ao IE não para conversar, ouvir a professora, saber o que havia acontecido. A mãe foi para agredir a professora. Cena de violência testemunhada por crianças que lá estudam.

Cena triste, sim. O local, uma escola, seria o último a registrar tanta violência, ira, raiva. Não de alunos em brigas hoje quase comuns nos pátios das escolas. Mas de uma mãe agredindo uma educadora.

Tristes tempos.

Há quem diga que nosso país está perdendo o sentido da ética, do respeito. E apontam que o exemplo da má educação, da falta de ética, vem de cima. Se antes o "toma lá dá cá", os acordos, eram feitos às escuras, nos bastidores, em salas fechadas, hoje não mais. Se não há respeito, grandeza, nobres gestos entre aqueles que nos governam; se alguns acham que seus aliados não são "comuns" e tem uma "biografia" (e que biografia!) a zelar, como exigir respeito, educação, ética, nas escolas? Se os debates em uma das mais nobres Casas do Legislativo, o Senado, são tão baixos; se um senador, ex-presidente (cassado, graças a Deus) manda um outro "nobre colega" que "engula" o que estava dizendo da tribuna e ainda fazer o "uso que bem entender" como exigir mais educação das pessoas comuns?

Há quem diga que estamos vivendo momentos tão medíocres e pequenos, através do comportamento dos políticos; momentos repletos de favorecimentos, corrupção, jogo de interesses que nossa democracia ficou mais frágil. Como uma renda puída que, com o passar do tempo, apresenta cada vez mais buracos.

As cenas de agressão e violência em ambientes onde a meta final é a educação, portanto, não são de surpreender. Há escolas que exigem a presença da polícia. E Florianópolis, infelizmente, agora também faz parte dessa lista onde a violência já chegou às escolas. E, nesse caso, a agressora foi a mãe de uma aluna.

O CANTOR DA VOZ DOURADA

"I was born like this, I had no choice/I was born with the gift of golden voice" ("Eu nasci assim, eu não tive escolha/ Eu nasci com o dom de uma voz dourada"). Foi ouvindo essa música que entrei em casa, hoje à tarde. Do seu cantinho, no sofá, a Baby demonstrava mais uma vez que um dos seus prazeres é ficar ali, recolhida e hoje, em especial, ouvindo Leonard Cohen e sua belíssima Tower of Songs. A música tomava conta da sala e lá, da televisão, vinha o som e a imagem de um documentário - Leonard Cohen, I'm your Man, dirigido por Lian Lunson. O documentário é de 2005. Belíssimo. Rufus Wainwright canta maravilhosamente bem a tocante Hallelujah.

Quando saio, gosto de deixar minha gatinha ouvindo música. Já li em algum lugar que animais - cães e gatos, em especial - ficam mais tranquilos quando ouvem música. Eu tenho certeza. E hoje vimos, juntas, o documentário especial com Bono, Rufus, Nick Cave e outros cantando algumas das tantas belas músicas do poeta canadense Leonard Cohen, o cantor que tem o "dom da voz dourada".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

À ESPERA DO BOM TEMPO


fotos: elaine borges

Temos – a Baby e eu - mantido uma convivência harmoniosa nas últimas semanas. Talvez devido a essa convivência mais intensa, a minha amiguinha de quatro patas às vezes se excede nas manifestações de carinho: ronrona alto, pressiona as patinhas no meu corpo e, quase sempre, exige – dando um leve toque com sua pata na minha mão - que eu faça um suave carinho na sua cabecinha. Mas há excessos, uma sutil manifestação de posse. Nem sempre o fato de me ver por aqui, teclando, de costas para ela, o agrada. Nesse momento, ela pula nas minhas pernas e quase que me obriga a voltar a sentar na poltrona, olhar a televisão, ou ler. Então, volta a se enroscar no seu cantinho no sofá. Há outras manifestações que me intrigam: ela me cerca, mia baixinho, se aproxima, me rodeia, como um cão apascentando o gado. E só se aquieta quando volto a sentar na poltrona.
Nos últimos dois dias ela achou outro cantinho pra ficar mais perto de mim: o meu toca-discos (sim, já disse, ainda curto meus vinis). É claro que, como sabem, cá em casa quem manda é ela, ontem não consegui ouvir minhas músicas prediletas (comprei, lá na Praça XV, o LP “Time Further Out – Miro Reflections – do genial The Dave Brubeck Quartet”). Eu apenas temi que ela quebrasse a tampa do toca-discos: a Baby é enorme, pesa quase cinco quilos...
Na sua vidinha diária, há o momento da janela: lá ela fica olhando o mundo do décimo andar. Ontem também curtiu meu “jardim de inverno” (meus vasos de lavanda e de tulipa) dando mais vida ao meu tranqüilo recanto onde, nos últimos dias, tenho permanecido, fugindo do frio, do vento e da chuva. E em silenciosos diálogos com a Baby. Ela também tem me dito que está esperando temperaturas mais elevadas pois é muito friorenta. Embora saiba que, com bom tempo, pernas pra que te quero...

BOA NOTÍCIA

As notícias são desencontradas: uma médica informou ontem, extra-oficialmente, que um homem morreu de gripe A em Cachoeira do Bom Jesus, região norte de Florianópolis. Esse caso não consta na lista oficial publicada segunda-feira pela Secretaria da Saúde de Santa Catarina. Os dados oficiais da Diretoria de Vigilância Epidemiológica são de que três pessoas morreram da gripe A em Santa Catarina: uma em Tubarão e duas em Concórdia. À noite o Ministério da Saúde informou que 129 pessoas morreram vítimas da gripe A no Brasil, a maioria em São Paulo (50), Rio Grande do Sul (29) e Paraná (25). Em Santa Catarina, Chapecó decretou estado de emergência e montou uma área especial apenas para atender os que apresentam sintomas da gripe. A boa notícia é que até o final do ano um milhão de vacinas serão compradas do Laboratório Pasteur e no primeiro trimestre de 2010 o Instituto Butantã receberá material para fabricar mais 17 milhões de doses da vacina contra a gripe A.

sábado, 1 de agosto de 2009

"A LAGOA ESTÁ MORRENDO"

foto: elaine borges

Há belezas na Lagoa da Conceição, mas há também um lado muito lamentável: esgotos a céu aberto, como este que fotografei na quinta-feira. A placa de advertência dizia: "A Lagoa está morrendo".

A GRIPE A E AS MÁSCARAS

Santa Catarina está entre os seis Estados mais atingidos pela Influenza A. Os demais são Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais. Estes seis Estados começaram a receber desde ontem os primeiros 150 mil kits de medicamentos (tamiflu) que foram produzidos no Brasil. O site da Secretaria da Saúde de Santa Catarina, no entanto, continua desatualizado. Os últimos números relativos à gripe divulgados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (do dia 28) informavam que estavam aguardando “o resultado laboratorial dos exames de nove pessoas que faleceram em Santa Catarina com suspeita de gripe A. Trata-se de uma mulher de 22 anos e de um homem de 34 anos de Tubarão; de um homem de 53 anos e de uma mulher de 29 anos de Concórdia; de uma mulher de 37 anos de Capinzal; de um homem de 18 anos de Blumenau; de um homem de 31 anos de Florianópolis; de um homem de 44 anos de São Bento do Sul; e de um homem de 44 anos de Lages”. O boletim informava ainda que “Santa Catarina conta com 64 pessoas contaminadas pelo vírus, 351 casos suspeitos e 162 casos descartados”.
Se nosso Estado está entre os seis mais atingidos pela gripe A causa estranheza o fato de que essa informação só tenha sido divulgada pela mídia nacional. Há na mídia local detalhadas informações sobre como evitar o contágio, tais como não freqüentar locais fechados, lavar as mãos com freqüência, usar lenços ao espirrar... Mas há uma orientação que pouco está sendo seguida em Florianópolis: a freqüência aos shoppings não diminuiu. Ao contrário, ontem à tarde os shoppings estavam lotados. Claro, com chuva e com as crianças ainda em férias escolares, o que fazer? Ir às compras, aproveitar as liquidações e, se possível, tentar esquecer que há uma pandemia de gripe por aqui. Resta-nos esperar que os termômetros voltem a marcar temperaturas mais elevadas. Eu, por enquanto, tento evitar aglomerações. “Saia com máscara, no teu caso é mais seguro”, sugeriu minha oculista (que é de origem japonesa). Mas, sinceramente, ficaria bem encabulada de circular por aí com máscara cirúrgica. É muito estranho. Infelizmente não faz parte ainda da nossa cultura esse hábito, tão comum no Japão, como disse minha oculista.