domingo, 5 de maio de 2013

GOTAS-DE-SANGUE COM GOTINHAS DE CHUVA

 
 
Gotas-de-sangue ( fotos : elaine borges)

O que se faz numa tarde de domingo chuvosa? Tanta coisa! Eu, por exemplo, gosto de me enroscar na cama com minha gatinha peluda esquentando meus pés, enquanto busco na televisão algum programa interessante. Ou, então, abrir um livro e perceber, de repente, que tenho ali, nas mãos, um escritor instigante, que escreve bem e nos leva, pela imaginação, à caminhos ainda não descobertos. E constatar, mais uma vez, que a leitura continua sendo um dos grandes prazeres da vida. Ou pode-se não fazer nada e ficar ali,  olhando os pingos da chuva cair nas flores e folhas das gotas-de-sangue, ou bico-de-papagaio ( como também são conhecidas) que estão do outro lado da janela do meu quarto, ao alcance da minha pequena câmera. Ao lado, na mata atrás do muro, folhas das árvores brilham molhadas pela chuva. É a exuberância da mata acolhendo a chuva após vinte dias de muita seca e calor. E as gotas-de-sangue, que florescem no outono, já exibem suas flores vermelhas  dando as boas vindas a nova estação que chega tardiamente. E a minha tarde de domingo passa ouvindo o delicioso barulhinho da chuva.  

sábado, 27 de abril de 2013

VENDO A LUA ENTRE AS ÁRVORES

 
Lua cheia  -  foto: elaine borges)

 As lindas noites de lua cheia têm sido motivo de comentários cá na Ilha. Há quem permaneça horas contemplando o céu, encantado com tanta beleza. A foto acima foi feita nesta madrugada. Bastou olhar pra cima e - clic - o momento de tanta beleza ficou registrado.
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SATÉLITE

Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira.

Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,

Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e enamorados,
Mas tão somente
Satélite.

Ah! Lua deste fim de tarde,
Desmissionária de atribuições românticas;
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
gosto de ti, assim:
Coisa em si,
-Satélite.


                                            Manuel Bandeira

domingo, 21 de abril de 2013

UM POETA MARCADO PELO INSÓLITO


Árvores  - Praça B. Constant ( foto: elaine borges)
 De Mattew Rohrer (*)

ALGUM CARA DISSE que Wittgenstein provou que não há pensamento sem linguagem.

Wittgenstein nunca viu um passarinho ou um urso.
Árvores balançavam no parque e suas copas se encostavam com ternura.
Mesmo sendo o mais novo, eu sou o professor!
Corvos gritam para mim no telhado e não conseguem pousar.
Acordo indistinguível da manhã deslavada.
Tudo que sou é pensamento sem linguagem.

(*) Matthew Rohrer é um poeta americano que descobri lendo a revista Piauí ( número 77, fevereiro de 2013).  Ele nasceu em 1970, no Michigan e cresceu em Oklahoma. Sobre ele, escreveu Eucanaã Ferraz na citada revista: “nada é excepcional quanto aos temas – acontecimentos cotidianos, passagens comuns, cenas e ambientes urbanos em flashes em que a natureza parece emergir da memória; o mesmo se dá com a forma – sintaxe clara, escolha vocabular descomplicada e tom decididamente coloquial. De tudo isso resulta, no entanto, um universo extravagante . O leitor logo percebe que está diante de significados movediços, construídos por frases instáveis, combinações estranhas e vazias. Trata-se, sem dúvida, de uma escrita marcada pelo insólito: se nada escapa da esfera cotidiana, o trivial vê-se inteiramente entrelaçado com a imaginação e a liberdade”.


LAGOA: CENAS DO COTIDIANO

 
 
Cavalos na Lagoa (fotos: elaine borges)

Ás vezes, cavaleiros cavalgam ao longo da praia, na Lagoa da Conceição, param nos bares da região, amarram os animais junto aos cartazes, conversam com os amigo e depois partem. São cenas que também fazem parte do cotidiano de um lugar ainda encantador. 

terça-feira, 16 de abril de 2013

AS BELAS MÚSICAS DE GEORGE HARRISON

 
 Capas de LPs do George Harrison (fotos elaine borges)

Após ver na HBO o belo documentário sobre a vida do George Harrison,  dirigido por Martin Scorcese, impossível não abrir o baú de discos de vinil, que ainda curto, e passar horas seguindo aquele ritual obrigatório: retirar os discos das capas de plástico ( em alguns, o plástico se desmancha, tal o tempo que estão ali) e ouvir o som de sua guitarra. Um som único, "deslizante", como disse Ringo Starr ao falar, e se emocionar, comentando momentos que passou ao lado de Harrison. Seu canto também era suave, delicado. Às vezes lembra um choro, um lamento. Primeiro ouvi os três LPs do belíssimo álbum All Things Must Pass (1972): My Sweet Lord, Wah-Wah, If Not For You, Beware of Darkness, Hear me Lord, Isn't It a Pity, All Thing Must Pass... Seguindo a viagem aos sons da minha vida, abri o álbum The Concert For Bandgladesh (1971). E lá estão os amigos de George Harrison apresentando um show para arrecadar fundos para ajudar aquele sofrido povo:  Billy Preston, Ringo, Leon Russell, Eric Clapton, Bob Dylan. Mas o grande destaque são os músicos Ravi Shankar, Ali Rakah, exímio tocador de tabla,  Ali Akbar Khan e Kamala Chakravarty. A primeira música do conjunto de três LPs - Bangla Dhun - é hipnotizante e belíssima. São sons que exerceram definitiva influência nas músicas e na vida de George Harrison. Vem daí o belíssimo mantra My Sweet Lord. 
Entre os quatro fabulosos Beatles, George Harrison era o mais fraterno de todos eles, o mais amigo e solidário. No documentário, todos que falaram sobre George Harrison, destacaram o imenso carinho que ele dedicava aos amigos. Era um ser iluminado, disseram. E um artista que deixou músicas maravilhosas que continuamos tendo o prazer de ouvir.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

DOMINGO EM SANTO ANTÔNIO DE LISBOA

 
 
 
Sto Antônio de Lisboa ( fotos: elaine borges)

Há lugares na Ilha de Santa Catarina tão encantadores que exigem visitar e retornar. Um desses lugares é Santo Antônio de Lisboa. No domingo, lá passei bons momentos. Um bom almoço com amigos na Spaguetteria Café, comprinhas na lojinha do Janga que reúne lindas, delicadas e variadas peças artesanais, o mar lá na frente enfeitado de lanchas e barcos, gente circulando, sol generoso, céu com poucas nuvens, a Igreja ao lado... São pequenas felicidades que iluminam nossa vida.

domingo, 7 de abril de 2013

A ÚLTIMA DAMA DO OUTONO

 
A Dama de abril ( foto: elaine borges)

Pouco antes da meia noite de sábado, mais uma Dama da Noite apareceu. Aí está ela. bela como sempre. As próximas só no final do ano.

sábado, 23 de março de 2013

A FLORIANÓPOLIS QUE AMO

 
 
 
 
 
Florianópolis de ontem (fotos: elaine borges - arquivo)

Quando aqui cheguei vi praias desertas, vi senhoras rendeiras sentadas junto às suas casas tecendo rendas e manipulando com extrema habilidade dois bilros de onde surgiam delicadas rendas; vi crianças brincando de bola de gude; vi senhoras trabalhando nos engenhos de farinha auxiliada por seus filhos; vi pescadores concentrados jogando dominó nos botecos do interior da Ilha. Quando aqui cheguei muitas praias ainda estavam desertas e para lá chegar exigia-se paciência porque as estradas ainda eram de chão batido e, às vezes, o carro atolava no areião de onde só era retirado após muito esforço e algazarra  ( "empurra, empurra, mais, mais um pouco..."). Quando aqui cheguei gostava de comer pastel de camarão no bar da Princesa, na Croa, hoje Jurerê antigo, chupar as balas Dalva ( que colavam nos dentes) e saciar a sede bebendo Pureza. Quando aqui cheguei meu primeiro momento de deslumbramento foi cruzar a ponte Hercílio Luz e ver como era linda a cidade que eu tinha escolhido para morar.
Hoje, morando há quarenta anos aqui, continuo deslumbrada, encantada, embevecida  com a beleza da cidade. Sim, temos problemas - muitos - mas continuo amando Florianópolis. Ela é linda! Olhe, por exemplo, os garapuvus quando estão floridos. Ao chegar no topo do morro da Lagoa da Conceição, permaneça ali e veja quanta beleza: há a pria da Joaquina lá ao longe, o contorno dos morros,  a igrejinha, a lagoa. ..Ao sul, impossível não se encantar ao ver aquele conjunto de casarios antigos no Ribeirão da Ilha, a  igrejinha na pracinha, as gaivotas nos trapiches... Essa linda cidade hoje completa 287 anos. O dia é de festa. Comemoro o dia porque Florianópolis hoje é também minha cidade. Aqui decidi morar. Sei que aqui também morrerei. E minhas cinzas serão jogadas em qualquer canto dessa Ilha porque quero aqui permanecer para sempre. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

O OUTONO ESTÁ CHEGANDO

 
Lagoa no outono (foto: elaine borges)

Ontem foi o último domingo do verão. E o friozinho está chegando!


segunda-feira, 11 de março de 2013

LAGOA DA CONCEIÇÃO EM TRÊS MOMENTOS

 
 
 
 Lagoa azul ( fotos: elaine borges) 

Nunca o homem inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza. Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido.
Leonardo Da Vinci