sábado, 29 de novembro de 2008

QUANTA DOR

Sábado - Lagoa da Conceição - Chove em Florianópolis.

Enquanto isso, sucedem-se os trágicos acontecimentos que enlutaram Santa Catarina. Mais de 3.000 deslizamentos, famílias inteiras soterradas. A Defesa Civil acha que nunca saberá o número exato de vítimas. Há casas desaparecidas. Em alguns municípios vai ser necessário fazer novo traçado das ruas - muitas desapareceram. Impossível saber quando terminará esse pesadelo, esse horror. Quanta dor, meu Deus!





foto: elaine borges
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O RON RON DO GATINHO




Foto:elaine borges


O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem,despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho
Ferreira Gullar


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TRISTE ESTATÍSTICA

A Defesa Civil de SC publicou às 00h11minh deste sábado os últimos levantamentos de uma triste estatística: aumentou o número de mortos. Já são 105 os óbitos. Segundo o registro oficial, são 78.707 desalojados e desabrigados ( 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados) e 19 desaparecidos. E mais de 1.500.000 foram afetados pelas inundações.


A Defesa Civil também divulgou o total dos Bancos autorizados a receber doações. E avisa que não envia mensagens eletrônicas com pedidos de auxílio. E chama a atenção para a ação dos golpistas via Internet.


São os seguintes:


Banco/SICOOB SC - 756 - Agência 1005, Conta 2008-7

Caixa Econômica Federal - Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8
Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta 80.000-7

Besc – Agência 068-0, Conta 80.000-0.

Bradesco S/A - 237 Agência 0348-4, Conta 60.000-1

Itaú S/A - 341, Agência 0289, Conta 69971-2

SICREDI - 748, Agência 2603, Conta 3500-9

SANTANDER - 033, Agência 1227, Conta 430000052

Nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual de Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.


Também o município de Ilhota abriu conta para receber doações em dinheiro:

Banco do Brasil - agência 3148-8 / Conta: 90.000-1

P. M. Ilhota/Defesa Civil

A DIFÍCIL COBERTURA DE UMA TRAGÉDIA

Sérgio Matsuura, do Rio, conta no site do Comunique-se as dificuldades dos jornalistas para cobrir o que ocorre em Santa Catarina. Parte do depoimento do Eduardo Nunomura, enviado especial de O Estado de S. Paulo, eu já havia reproduzido aqui no blog. É um dos tantos relatos tocantes dos inúmeros dramas humanos que estão acontecendo em nosso Estado.

RELATO DOS JORNALISTAS

“Logo que chegamos, fomos para um abrigo e as histórias trágicas começaram a aparecer. A primeira foi a do Juliano. Ele contou que no momento do desabamento estava segurando a mulher com uma mão e a filha com a outra. Ele não aguentou e teve que soltar a mulher, mas aconteceu um outro desabamento que levou a filha também. Ele disse uma frase que me chocou muito: 'em um minuto eu perdi as duas'. Isso é o que a gente está cobrindo todos os dias. Acordo às 6h da manhã e vou dormir à 1h, ou mais tarde”.

Esse é o depoimento do jornalista Eduardo Nunomura, enviado especial de O Estado de S.Paulo para cobrir os temporais em Santa Catarina. Para fazer a informação chegar à casa do leitor, os repórteres se desdobram e vivem, junto com a população das cidades atingidas, as dificuldades causadas pela tragédia. Às vezes, sobrevivem, como foi o caso do fotógrafo que acompanha Nunomura, Filipe Araújo.

“O Filipe estava no morro do Baú (em Ilhota), lugar onde aconteceu o maior número de mortes em Santa Catarina, quando a terra cedeu. Ele estava a menos de 500 metros do desabamento. Ele teve que sair correndo. Foi caso de vida ou morte”, conta Nunomura.

Helicóptero resgata jornalista

O outro jornalista enviado pelo Estadão à Santa Catarina, Rodrigo Brancatelli, também passou por problemas. Ele teve que ser resgatado por um helicóptero da Marinha. Nunomura conta que ainda não conversou com Brancatelli, mas sabe que ele está bem.

As dificuldades da apuração

Além dos riscos, os jornalistas têm que se preocupar em dar a melhor história e fazer a melhor apuração possível. O tempo da matéria é diferente. O excesso de informações desencontradas acaba causando a desinformação, que pode induzir o jornalista ao erro.
“A gente tem que filtrar notícias, apurar muito bem. Tem que ser muito rápido. Tem que saber se a fonte é fidedigna ou não em minutos. Ontem, falaram que apareceram sete corpos no pé do morro do Baú. Eu não podia dar sem conferir. Eu precisava ver os corpos”.

"As pessoas da redação pensam só em publicar”

O receio de tomar um furo e as dificuldades de trabalhar também afetam a atividade do jornalista. Existem muitos fatos acontecendo em lugares diferentes e ao mesmo tempo. Nunomura conta que, às vezes, podem acontecer apostas erradas. Como exemplo, cita o caso do saque a um supermercado. “Quem poderia prever que um saque aconteceria? E saque não dá para correr atrás porque ele acontece naquele exato momento. Não adianta ir depois”.
“Existem situações como essas, que as pessoas da redação não têm noção do que está acontecendo e ficam pensando só em publicar. Nós, aqui, temos que colocar as nossas vidas em segurança em primeiro lugar. Exemplo é o caso da fotografia do Filipe. Não dá para pedir um ângulo melhor. Ele tinha que se preocupar com a vida dele”, comenta.

Problemas com celulares dificulta cobertura

Para realizar a cobertura, o Estadão enviou duas equipes, com repórter e fotógrafo, deslocou um freelancer para cobrir as informações oficiais e conta com o apoio da Agência RBS. A editora do caderno Metrópole, Viviane Kulczynski, diz que, mesmo com uma equipe grande, existem dificuldades.
“Os celulares não estão pegando direito. Em pleno século XXI temos que recorrer ao orelhão”, diz Viviane.
Fora todas essas dificuldades do fazer jornalístico, existe uma outra: a conversa com as pessoas.
“Uma coisa que é horrível de fazer, mas que a gente faz até sem querer, quase que automaticamente, é o hábito de perguntar se está tudo bem. Claro que não está nada bem”, conta Nunomura.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ILHOTA QUASE DIZIMADA

Quando o prefeito Ademar Felisky, de Ilhota, começou a relatar para o repórter o que tinha acontecido com seu município, não conseguiu terminar a frase, lágrimas saltaram dos seus olhos e ele apenas apontou para o monte de terra onde antes havia inúmeras casas. Era o que restou do Morro do Baú que ontem soterrou mais 4 pessoas, todos da mesma família. Na verdade, eles já haviam sido resgatados, mas, passada a chuva, voltaram para suas casas e foram vítimas de mais um deslizamento dos tantos que ainda ocorrem na região do Vale do Itajaí. A tragédia causada pelas inundações em Santa Catarina afetou principalmente Ilhota, município com 11.500 habitantes, que já registrou 29 mortes e bairros inteiros foram arrasados, tanto pelas águas como pelos desmoronamentos de terra. “Existem localidades que foram totalmente dizimadas. Não se sabe onde ficava a estrada, onde viviam as pessoas, tamanho foi o deslizamento e o volume de terra que desceu”, relatou o prefeito ao repórter do O Globo.

ALERTA

O que vemos em Santa Catarina é um espelho do futuro das nossas cidades. As indicações são de extremos de chuvas torrenciais e grandes secas.

Do cientista Carlos Nobre, do Inpe (Instituto de Pesquisas Aeroespaciais), em matéria publicada ontem em O Globo.

SOLIDARIEDADE


É intenso o movimento nas regiões atingidas pelas enchentes: são médicos, enfermeiras, soldados, voluntários, até crianças (como a da foto de James Tavares) auxiliando milhares de pessoas atingidas pelas enchentes em Santa Catarina. E a previsão é de que o tempo continuará instável e o risco de deslizamento nas encostas continua.

NÚMEROS DA TRAGÉDIA

Dados oficiais da Defesa Civil de Santa Catarina:
78.707 desalojados e desabrigados - sendo 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados; 99 óbitos e 19 desaparecidos confirmados e mais 1.500.000 afetados.

TOQUE DE RECOLHER

Para evitar saques e assaltos aos supermercados e lojas a Polícia Militar de Santa Catarina decretou toque de recolher em Itajaí, um dos municípios mais atingidos pelas enchentes. As pessoas só podem circular até às 22 horas. A medida visa também evitar confusão e atos de violência. Quem quiser circular após a hora determinada pela PM terá que ter autorização da delegacia local. O toque de recolher começou ontem à noite.

SOLO DE SANTA CATARINA ESTÁ DESMANCHANDO

A Agência Brasil reproduziu em seu site uma entrevista de um especialista em Análise Geoambiental que transcrevo abaixo. E mais uma vez fica evidente o que já foi motivo de inúmeras denúncias em Santa Catarina: a ocupação desordenada nos morros e de áreas de preservação permanente. E com a devida licença dos órgãos de defesa e proteção ao meio ambiente. E, sobretudo dos executivos (prefeitos e governadores), certamente os mais responsáveis pela degradação de nossas cidades que, aliados aos fortes grupos empresariais, legislam visando o lucro imediato.

COMO SE FOSSE MANTEIGA

Parte do solo do estado de Santa Catarina está desmanchando. A afirmação é do professor do Departamento de Análise Geoambiental da Universidade Federal Fluminense, Júlio César Wasserman. Em entrevista ontem (27) à Rádio Nacional, o especialista esclareceu que o desabamento de terra ocorrido nas encostas de cidades do estado devido às fortes chuvas é um processo chamado solifluxão. Segundo ele, na maior parte das vezes o fenômeno acontece devido ao desmatamento das encostas. “Quando se tem ocupação de favelas ou residências com pouca estrutura nessas áreas, esse processo vai ocorrer”, disse. Ele explicou que a espessura do solo das encostas é relativamente reduzida e que quando há chuvas, as águas penetram até a rocha sã (tipo de rocha que não virou solo). Por esse motivo, a terra ultrapassa sua capacidade de absorver essa água. Fato acontecido em Santa Catarina. “A formação é como se fosse uma manteiga derretendo em um bloco de gelo”, exemplificou.Para o professor, o papel da Defesa Civil no momento, de identificar as áreas de risco nos estado, deveria ter sido realizado antes. Como exemplo de prevenção, Wasserman citou os trabalhos de conscientização da população feitos nas cidades de Petrópolis e Teresópolis, no Rio de Janeiro. “Quando atinge uma determinada quantidade de chuva, eles mesmos tomam a iniciativa de abandonar a casa e se instalarem em outros locais”, contou. O pesquisador também destacou que, além de perder as casas, muitas famílias deverão perder os terrenos onde as moradias estavam construídas, já que as áreas desapareceram no meio da enxurrada. De acordo com ele, nos locais em que o solo se acomodar, será possível fazer uma análise geotécnica. Nesses casos, as famílias serão orientadas sobre como reconstruir suas casas. Para ele, no entanto, o quadro visto na catástrofe é de barrancos desmoronados e nessa situação a recuperação do terreno será praticamente impossível. “O custo para se construir uma casa pendurada em um barranco é muito alto. Essas pessoas infelizmente vão perder o terreno”, afirmou.Na opinião de Wasserman, a responsabilidade pelos prejuízos é do estado. “Acho que existe uma grande responsabilidade do estado em ter legalizado esse terreno. Mesmo nas situações de invasão. Acho uma irresponsabilidade o fato de o estado não ter controlado essa ocupação nessas áreas de risco”, criticou.