domingo, 31 de maio de 2009

COPA DO MUNDO: MAIS UMA DERROTA


Fotos: elaine borges

Mesmo sabendo que Florianópolis estava fora da lista das 12 cidades que serão sede da Copa do Mundo de 2014, ficamos, minha gatinha e eu, vendo a televisão e o anuncio, pela FIFA, das cidades escolhidas. Sentimos uma estranha sensação de derrota com o que já sabíamos. Mas aí, caímos na real. Florianópolis tem um péssimo transporte coletivo, o caos urbano transforma nossa vida em um inverno diário. Há falta de táxis. Quando chove, piora tudo. E o aeroporto Hercílio Luz, que há horas já deveria ser internacional, é aquela deficiência eterna. Não merecíamos mesmo sediar a Copa. Não temos infra-estrutura por culpa de péssimos admistradores. De novo, estamos entre duas cidades escolhidas: Curitiba e Porto Alegre. Lembrei de quando não existia a BR-101 e nada acontecia por aqui devido ao péssimo acesso à Ilha. Perdemos memoráveis espetáculos teatrais, shows, cantores internacionais se apresentavam em Porto Alegre e nunca aqui. Como um sanduiche, éramos o miolo, o meio... Agora, veio novamente essa sensação. Continuamos perdendo grandes momentos. Vejo a programação cultural de Curitiba e morro de inveja. O mesmo ocorre quando leio os jornais de Porto Alegre e constato que há grandes exposições acontecendo por lá, sem que nunca as vejamos. Voltou aquela sensação de que moramos num lugar pobre em promoções as mais diversas, embora rico (e aí somos imbatíveis) em beleza natural. E reside aí, na nossa beleza, nas maravilhas da nossa Ilha (costões, ilhas, mar, lagos, morros, baías...) o grande prazer de aqui morar.

Mas continuamos perdendo. Agora foi a não escolha da cidade para ser sede de um dos jogos da Copa do Mundo. Outras perdas virão. E há ainda o grande perigo: querem vender nossas belezas para grandes empreendimentos imobiliários sem atentar para a fragilidade de nosso ecossistema.

Hoje, minha pequena Bibi olhou rapidamente o noticiário, constatou o já sabido e foi fazer o que mais gosta: curtir sua eterna soneca do dia inteiro. Ela dorme o sono dos anjinhos que também a protegem. Prefere ficar no seu mundo sabendo que o nosso, de duas patas, está muito complicado. E decepcionante. Nossas alegrias estão escasseando. E também a esperança de que um dia nossa ainda bela Ilha receba o tratamento adequado que tanto merece. Enquanto for tratada como "cosa nostra", nós, pobres mortais da planície, continuaremos perdendo.

sábado, 30 de maio de 2009

UM CANTINHO ESPECIAL


Fotos: elaine borges


Mesmo com chuva e um friozinho gostoso é muito bom curtir com amigos este cantinho, a Santo Antonio Spaghetteria Caffé. E ainda descobrir delicados objetos, pinturas, tapetes, desenhos e tantos outras preciosidades na Casa Açoriana Artes e Tramóias Ilhoas ali ao lado. De lá trouxe hoje essa delicada peça, a galinha e seus pintinhos, que já enfeitam a parede da minha sala.

(Endereço: Rua Cônego Serpa 30, Santo Antonio de Lisboa - ao lado da Igreja).

FRIOZINHO DO OUTONO


Foto: elaine borges


No jogo político, nós, pobres mortais, pouco influímos. Mas aguentar a euforia dos meios de comunicação com a não cassação do governador Luís Henrique da Silveira foi demais. "Espetacular. Grande vitória. Um marco na história política de Santa Catarina." Foi assim, com frases grandieloquentes que foi noticiada a não cassação do cargo do governador por votação no TSE. Foguetórios também foram espoucados aqui e ali, em comemoração ao "grande acontecimento". Confesso: fiquei abismada com tanta euforia. E fiquei mais convencida que vivemos em dois mundos: o da política e o dos demais, dos brasileiros que lutam no dia-a-dia pela sobrevivência. O senador José Sarney recebia auxílio moradia e não sabia? Caia mais de tres mil reais na sua conta, mensalmente, e ele não percebeu? Por isso digo: o mundo deles é outro. Diferente do nosso. Lá há falcatruas. Cá embaixo há uma briga diária para continuar a vida.

E neste sábado, com os termômetros marcando 16 graus, melhor não prestar atenção no mundo que não é o nosso e tentar usufruir o que temos: a beleza da Ilha, a bela ponte Hercílio Luz e sentir na pele o friozinho do outono.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

DESMATAMENTO EM SC

Foto: elaine borges

Entre 2005 e 2008 a Mata Atlântica teve 102,9 mil hectares derrubados. Em média, foram desmatados 34,1 mil hectares por ano, área que corresponde a dois terços da cidade de São Paulo. Os dados foram divulgados ontem pela fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Tres estados brasileiros figuram como os que mais desmataram nesse período e Santa Catarina ocupa um vergonhoso segundo lugar. Em primeiro lugar destaca-se Minas Gerais (32,7 mil hectares de mata derrubados) e em terceiro a Bahia (24, 1 mil hectares). Em todos o território catarinense foram derrubados 25,9 mil hectares. Segundo o levantamento, o país tem apenas 11,4% de cobertura vegetal original, ou seja, apenas 147 mil quilômetros quadrados de mata atlântica, espalhados por todo o território brasileiro e de forma fraguimentada.
Ao divulgar os números, Mario Mantovani ( Agencia Estado de ontem), diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, disse que “o caso de Santa Catarina é de desobediência civill. Políticos e dirigentes promoveram toda sorte de maldades contra a mata, culminando com um código ambiental estadual inconstitucional.”
Mantovani referia-se a aprovação, pela Assembléia Legislativa, do Código Estadual do Meio Ambiente - em 31 de março e em seguida sancionado pelo governador Luis Henrique da Silveira. De acordo com o Código, a proteção às matas ciliares às margens dos rios caiu de 30 para 5 metros, e nas nascentes fluviais, a área de preservação diminuiu de 50 para 10 metros. O Código Estadual do Meio Ambiente foi aprovado quatro meses após a enchente de novembro último que matou 137 pessoas. Na ocasião, o professor Antonio Fernando Guerra, da Universidade do Vale do Itajaí, disse que "a tragédia só teve a dimensão que vimos por causa da ocupação nas margens dos rios e nos morros.”

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O CONFORTO INCOMPREENSÍVEL DOS GATOS

Foto: elaine borges

"O conceito que os gatos têm de conforto é absolutamente incompreensível para os homens".
(Sidonie-Gabrielle Colette - do livro Gatos (Editora Lisma - Lisboa).

O que li agora nesse belo livro é a mais pura verdade. Hoje, por exemplo, a Baby escolheu ficar um bom tempo ali, na poltrona, lugar aparentemente incomodo. Entender esses belos felinos não é fácil, mas conviver com eles é uma delícia. Às vezes a Bibi (seu apelido para os íntimos) se aproxima de mim, mia baixinho, me olha, continua miando, sempre muito baixinho, e eu nada entendo. Converso, pergunto e fica o mistério....

domingo, 24 de maio de 2009

ROMARIA DA COLETA


Fotos: elaine borges
Do tambor saia um som – bum, bum, bum – com breves interrupções. Um pequeno grupo com espécies de palas vermelhos sobre os ombros caminhavam rumo às casas. À frente, um deles levava a bandeira do Divino. O grupo com a bandeira, ao serem recebidos pelos donos das casas, coletava pequenas quantidades em dinheiro. Era a contribuição para a Festa do Divino, sempre realizada após a Páscoa, nos meses de maio, junho ou julho. Em retribuição, eles ganhavam pequenos pedaços das fitas que ornam a bandeira, guardadas com muita fé pelos fiéis. Antes, a romaria da coleta que precede a grande Festa do Divino, era composta por um grande grupo e os músicos tocavam rebeca, violão, tambor surdo (que permanece), gaita e até cavaquinho. Atualmente, são poucas as comunidades que mantem essa tradição. Em Florianópolis, há grupos ainda em Santo Antonio de Lisboa, Campeche e Ribeirão da Ilha. E o que vi nesta tarde na Lagoa da Conceição foi um grupo de resistentes moradores tentando manter uma tradição trazida dos Açores que, aos poucos, vai desaparecendo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CASA NO CAMPO

Foto: Tempo Editorial (arquivo)

Composição: Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo

Onde eu possa compor muitos rocks rurais

E tenha somente a certeza

Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo

Onde eu possa ficar no tamanho da paz

E tenha somente a certeza

Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes

No meu jardim

Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos

Meu filho de cuca legal

Eu quero plantar e colher com a mão

A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo

Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé

Onde eu possa plantar meus amigos

Meus discos e livros

E nada mais


Essa música me acompanhou em vários momentos de minha vida. Ouvi Elis Regina cantar Casa no Campo, comprei o LP, sempre gostei da letra, bela e singela. Pois seu autor, Zé Rodrix (com Tavito), morreu ontem à noite, em São Paulo. Ele, Sá e Guarabyra formavam um trio e criaram o então chamado rock rural. Mas o que fica mesmo do Zé Rodrix e essa música tão voltada para um tempo de busca da simplicidade. Tempo em que, para atingir a plena felicidade, bastava ter uma casa no campo onde pudéssemos "plantar os amigos, discos, livros e nada mais". Tão simples, mas tão longe...

OUTONO NA ILHA

Foto: elaine borges

Pescando no Morro das Pedras, sul da Ilha de Santa Catarina.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

SUL E NORTE: DOIS BRASIS

As imagens que vemos há mais de um mês são chocantes: inúmeras famílias com suas casas submersas, morando literalmente dentro da água. Vemos mulheres lavando roupas com água pela cintura, outras cozinhando improvisando tábuas sobre as águas, gatos nos telhados, crianças perigosamente se equilibrando nas tábuas improvisadas que servem também de frágeis pontes de ligação entre as casas... Desde abril não para de chover em nove estados do norte e nordeste. Inúmeros municípios estão debaixo d’água. E hoje o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria do repórter Rodrigo Brancatelli com uma triste constatação: o poder público não tem dispensado a mesma atenção àquela população como dispensou aos catarinenses atingidas pelas enchentes em novembro último.

Escreveu o repórter:

Santa Catarina teve 63 cidades afetadas, 137 mortes, 51 mil desalojados e 27 mil desabrigados. No total, a estrutura de suporte para lidar com as enchentes contou com 24 helicópteros e 4 aviões da Força Aérea. Doações da sociedade totalizaram R$ 34 milhões e o governo federal e o Congresso Nacional prometeram a liberação de R$ 360 milhões. Apesar de registrar um número menor de mortos até o momento, 45, o Nordeste tem 299 cidades afetadas, 200 mil desalojados e 114 mil desabrigados. Mesmo assim, com um número 4 vezes maior de pessoas que precisam urgentemente de ajuda, só 3 helicópteros e 3 aviões atuam na região. E as doações não alcançam R$ 4 milhões.

Só ontem (quarta), quase dois meses após o início das tempestades - que também castigam três Estados do Norte -, o governo federal destinou verba ao Nordeste, por meio de medida provisória assinada pelo presidente em exercício José Alencar, que liberou R$ 880 milhões - incluindo ajuda às vítimas da seca no Sul. As cidades atingidas ainda esperam repasse de R$ 23 milhões desde as enchentes do ano passado, referente a empenhos do Orçamento de 2007.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do estudo Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros deu a seguinte explicação ao repórter: "Em Santa Catarina, 137 mortos é chocante. No Nordeste, é histórico o problema das secas e das enchentes. Já não impressiona mais."

Mais uma vez constato: temos dois brasis. Lamentável que para o poder público as dores e tragédias das famílias que moram no norte não são as mesmas daqueles que moram no sul.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

TERMINOU A GREVE

Uma boa notícia: em assembléia geral os trabalhadores do transporte coletivo de Florianópolis decidiram encerrar a greve. Os ônibus voltarão a circular normalmente a partir das seis e meia da tarde. Mas as negociações continuam e é possível que, sem acordo, a greve seja retomada.