domingo, 30 de agosto de 2009

ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS!

The Starry Night (1889) - Vincent Van Gogh


A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.

Os versos acima são da belíssima música de Orestes Barbosa (1893/1966), a conhecida "Chão de Estrelas".

E volto ao assunto "em defesa do céu noturno e pelo direito à luz das estrelas", tema discutido pelos astrônomos reunidos em Assembléia Geral no Rio (Estadão - 14 de agosto). Os astrônomos afirmam que "um céu noturno não poluído, que permita a contemplação do firmamento, deve ser considerado um direito sociocultural e ambiental fundamental". E para defender esse direito criaram a Maratona Via Láctea. Nas próximas semanas vão promover encontros para o povo "medir e conhecer o impacto do excesso de luz na cidade em que vive". Os astrônomos constataram que há iluminação excessiva e sugerem "investimento no astroturismo e a racionalização da iluminação". Eles constataram que a poluição luminosa é fácil de combater e sugerem que sejam colocadas tiras de alumínio ao redor das lâmpadas dos postes para direcionar a luz para baixo. E citam como exemplo o que foi feito em um condomínio, em Friburgo, diminuindo em 50% o custo da iluminação. Também observam que no Chile já foi implantado o turismo astronômico, e com lucro.
A idéia é incentivar as pessoas a busca pelo céu estrelado.

Céu que Van Gogh pintou, em 1889. Lá está um céu turbulento, que ele chamou de "The Starry Night" -Noite Estrelada" - e foi pintado do asilo, em Saint-Remy (13 meses antes dele se suicidar, com 37 anos). Van Gogh pintou uma noite cujas estrelas ele não via.

Essa famosa tela serviu de inspiração para Josh Groban escrever a belíssima "Starry, Starry Night", cantada maravilhosamente bem por Don McLean ( Starry, starry night/paint your palette blue and grey/look out on a summer's day/with eyes that know the darkness in my soul/shadows on the hills/sketch the trees and daffodils/catch the breeze and the winter chills/in colours on the snowy linen land).

Alem de Van Gogh, há ainda os famosos versos de Olavo Bilac ( 1865/1918):

"Ora ( direis) ouvir estrelas?/ certo, perdeste o senso/ E eu vos direi, no entanto/ Que, para ouví-las/muitas vezes desperto/ E abro as janelas, palido de espanto".

Ou, Das Utopias, Mario Quintana: "Se as coisas são inatingíveis...ora!/Não é motivo para não querê-las.../Que tristes os caminhos, se não fora/ A presença distante das estrelas!"

Ah, as estrelas, assunto infindável!
"Vi uma estrela tão alta/Vi uma estrela tão fria", escreveu Bandeira...

Melhor parar por aqui. E ir à janela...olhar as estrelas.

sábado, 29 de agosto de 2009

REVELAÇÕES

foto: elaine borges
"A natureza não faz milagres; faz revelações." ( Carlos Drummond de Andrade )

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A PONTE APARECEU

foto: elaine borges
Quase meio-dia, e cá está ela, a Hercílio Luz, ainda com um pouquinho de neblina.

A PONTE SUMIU


foto: elaine borges
Cedinho, olhei através da janela, e não vi a ponte. Estava coberta pela neblina que cobriu a cidade. Aos poucos, ela foi aparecendo...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

EM DEFESA DO CÉU

foto: elaine borges
Li no Estadão (edição do dia 14 de agosto) uma resolução dos astrônomos "em defesa do céu noturno e pelo direito à luz das estrelas". A resolução foi lançada na 27ª Assembléia-Geral da União Astronômica Internacional, no Rio. O céu, para os astrônomos, é patrimônio da humanidade. Olhar estrelas, ver - por sorte - uma estrela cadente, a lua brilhando, são gestos tão simples, rotineiros, plenos de beleza. Basta levantar a cabeça e se deixar guiar pelo olhar. Mas um céu diurno, azul, com pequenos flocos de nuvens parecendo algodão, um pássaro aqui, outro acolá...também embelezam nossas vidas. Morando cá na Ilha, vendo tantos "céus" tão lindos, penso que somos ainda privilegiados. No entanto, sabe-se que, à noite, "mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo não enxergam mais a Via Láctea". Um dos motivos: poluição luminosa causada pela potência das lâmpadas. Antes, no Rio, cerca de 5 mil estrelas podiam ser observadas a olho nu. Calcula-se que hoje, com a poluição luminosa, apenas 150 podem ser observadas. Nós, felizmente, ainda podemos contemplar não só a luz das entrelas, mas também toda essa amplidão de um céu azul, enfeitado por nuvens.

domingo, 23 de agosto de 2009

O SABOR QUE VEM DO FRIO

foto: elaine borges
Quem não gosta de descascar uma laranja ou comer saborosos gomos de bergamota no inverno? E se for debaixo das laranjeiras ou bergamoteiras, melhor ainda. Esse pequeno prazer acompanha minha vida e, mesmo morando em apartamento, ainda me delicio com essas frutas que lembram frio, geada, vento, mas também calor, fogão à lenha, minuano, chaleira chiando no fogão... Hoje me contento em comê-las sentada na minha poltrona, recolhendo as cascas e as sementes em folhas de jornais. No meu baú de memórias guardo esses deliciosos momentos e mesmo em outro cenário, ainda sinto imenso prazer ao degustar essas frutas que vem do frio. São aquelas pequenas alegrias do cotidiano de todos nós.

A MÍDIA E O JOGO DE PODER


Celso Vicenzi é um competente jornalista e, recentemente, publicou no site ao qual colabora, uma relfexão sobre a credibilidade dos jornalistas que trascrevo abaixo. É uma boa reflexão sobre a nossa profissão.


A Credibilidade dos Jornalistas


Celso Vicenzi



Saiu há pouco o resultado de uma pesquisa que põe jornalistas, profissionais de marketing e publicitários entre as 10 profissões com maior índice de credibilidade no Brasil. Respectivamente na quinta, oitava e nona posições. A pesquisa foi realizada pelo grupo alemão Gfk, que ouviu 17 mil pessoas em 16 países europeus, nos EUA e no Brasil. No plano internacional, porém, as três profissões ocupam as 12ª, 13ª e 16ª posições. Talvez porque o povo, nesses países, tenha mais acesso à educação e, consequentemente, maior discernimento crítico.


Bombeiros, carteiros, médicos e professores de ensino fundamental e médio obtiveram os melhores índices. Vale lembrar que os políticos, sem nenhuma surpresa, ficaram em último lugar, com apenas 16% de credibilidade no Brasil e 18% internacionalmente. Não vou comentar sobre os profissionais de marketing e publicitários, pois temos ótimos colunistas aqui no “acontecendoaqui” para se ocupar dessa tarefa, se assim desejarem.


Meu foco são os jornalistas e o jornalismo, meu território há 35 anos. Há coisas boas e ruins para falar. Diante do enorme poder que a mídia exerce, hoje em dia, sobre a opinião pública, acho melhor alertar para alguns problemas. Falarei das virtudes em outra ocasião.


Parece-me que, apesar de não serem poucas as vezes em que nós jornalistas nos precipitamos e atropelamos os acontecimentos, pecamos pela falta de análise consistente, abusamos da superficialidade e não contextualizamos devidamente os fatos – para não falar daqueles que ideologicamente optam por desvirtuar, omitir e manipular informações – a população ainda têm nos olhado com confiança porque, num país em que os poderes públicos pouco fazem, perdidos em burocracias e lutas intestinas pelo poder, coube à mídia, no Brasil, à tarefa de responder minimamente às angústias do povo.


Um dos problemas é que, na ânsia de fazer justiça, os jornalistas, não raro, ultrapassam os limites da sua função e passam a proferir sentenças, sobretudo condenatórias, antes mesmo da Justiça se manifestar. Simples suspeitas viram manchetes de primeira página. E desmentidos, não raro, se escondem num pé de página. A mídia, que tanto se arvora no direito de a todos julgar, dedica-se muito pouco a admitir, publicamente, seus erros e os interesses que estão em jogo. E que não são poucos. Há uma corrida, cada vez maior, pelo que se denominou de “espetacularização” da notícia. Tudo vira espetáculo. Inclusive tragédias. E diante de um drama brutal que acaba de acontecer, com famílias chorando seus mortos, os jornalistas se acham no direito de fazer perguntas. Há uma invasão de privacidade. Há um despudor sem limites. Entra-se no cenário de um drama sem pedir licença à dor alheia. Há a busca insistente por imagens e depoimentos impactantes, que emocionem as multidões.

A MANIPULAÇÃO DA VERDADE

Continuação do post acima do Celso Vicenzi:



Nos jornais e telejornais, já ouvi de editores: “Tem imagem? Não, então a matéria não entra.” Ou a ela se destina um cantinho do jornal/telejornal. Conteúdo, relevância para a sociedade, exemplos esclarecedores do que está acontecendo? Tudo fica em segundo plano para dar passagem à sua excelência, a imagem, como se ela fosse a suprema revelação da verdade. Mas sabemos que ela pode ser tão manipuladora da verdade quanto qualquer texto panfletário. Para isso há a edição e, antes dela, a escolha mesmo de um fato. Quando e para onde eu aponto a minha câmera? O que dirá o meu texto? Num conflito entre traficantes e policiais, que tem a população das favelas como maiores vítimas, onde estou posicionado? Atrás dos policiais ou lá dentro da favela? Só o lugar, de onde acompanharei o desenrolar dos fatos já define muito. Quem são as minhas fontes? São sempre só as autoridades? Dá-se a palavra, em horário nobre, ao povo, como protagonista, ou ele será sempre um coadjuvante? Será sempre das autoridades ou dos intelectuais a versão final dos episódios? Que frases de cada personagem escolherei para narrar o que aconteceu e interpretar o sucedido? Escolhas não são isentas de conteúdo ideológico. Nem mesmo as palavras. Escrevo “invasão” ou “ocupação” do MST? Você é um trabalhador “multifuncional” ou será que está mesmo com uma sobrecarga de trabalho? O problema é que boa parte dos jornalistas “naturaliza” os conceitos como se fossem imparciais. Ao noticiar um fato, nenhuma neutralidade é possível. Pior ainda se o jornalista desconhecer isto. Quanto mais consciência política e ética o jornalista tiver, menos enganará a si e aos consumidores de suas notícias.

A mídia é hoje peça fundamental no tabuleiro do jogo de poder. Atualmente as empresas de comunicação têm participação em outros negócios que, no mínimo, a põe sob suspeita ao noticiar muitos eventos. Um exemplo emblemático: segundo Mauro Malin, no Observatório da Imprensa, a Folha de São Paulo é sócia, desde 1996, da Odebrech, do Unibanco e da americana Air Touch num projeto de telefonia celular, a famosa Banda B. Em 1994, este jornal publicou reportagens em que o nome da Odebrech aparece 244 vezes, sempre de modo negativo. Em 1996, com a sociedade já selada, a construtora é citada apenas 90 vezes e a imagem negativa em não mais do que 5% do total. Isso acontece com vários veículos de comunicação e empresas.

Costuma-se dizer que se as pessoas soubessem o que contém uma salsicha, talvez não comeriam. Exagero à parte, pode-se também dizer que se a população soubesse como se escolhem as notícias (e os jornalistas!), como são escritas, narradas e comentadas e a quais interesses servem, talvez essa credibilidade que aparece na pesquisa ficasse um tanto quanto abalada. Ou como brilhantemente definiu o sociólogo Boaventura de Sousa Santos: “Quem tem poder para difundir notícias, tem poder para manter segredos e difundir silêncios. Tem poder para decidir se o seu interesse é mais bem servido por notícias ou por silêncios.”

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A "BARCA" É FASHION

foto: elaine borges

A Biblioteca Barca dos Livros, da Sociedade Amantes da Leitura, com sede na Lagoa da Conceição, viveu hoje à tarde seu momento "fashion". Meninos e meninas, vestindo roupas da griffe Petit-Pavé, desfilaram no Donna Fashion DC, no Shopping Beiramar, com roupas inspiradas na Barca dos Livros. A homenagem da Petit-Pavé, mostrou "as parlendas - pequenos textos em verso e prosa - declamados na Barca dos Livros, e que estampam os forros em meio aos delicados poás".

A PEQUENA MODELO

foto: elaine borges

As criancinhas impressionaram pela "seriedade" e "profissionalismo".

No folder distribuido há a referência à Biblioteca Barca dos Livros: "A atividade especial acontece uma vez por mês, aos domingos, quando uma barca cheia de livros leva pais e filhos a um passeio lúdico e literário pelas água da Lagoa da Conceição".