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sábado, 2 de julho de 2011

IMAGENS, MEMÓRIA, TEMPO...


fotos: elaine borges

Um filme, um livro, pingos na janela, homens no barco, um casal de passarinhos nos fios do poste, um abraço apertado num amigo que há muito não via, outro na amiga que, sentada num barzinho na Lagoa, trocava comigo rápidas impressões sobre o frio, o inverno, o ventinho gelado no rosto...Sensações que ambas curtimos . Cá dentro a Baby enroscada na poltrona e eu pensando, escrevendo, me perdendo nesse mundo invisível que preenche minha memória e me leva, me leva, vai para o passado, volta, retorna, se perde... Há a dor no corpo, a dificuldade de mexer as pernas, a constatação de que o vigor físico jamais será recuperado. Há a atenção redobrada no simples ato de comer, almoçar, beber ("tem muito sal? qual o teor alcóolico do vinho? então vou tomar água, e sem gaz, por favor"). Sentar num bar para um cafezinho, saborear uma trufa, um brigadeiro, ainda é um bom programa. Mas há também um problema: as incomodas cadeiras, sem conforto, duras. Daí inventei uma outra dor, a "dor de bar". Basta ficar um tempo razoável sentada e ao levantar, uff, lá está ela, instalada nas minhas costas.

E tem a operação ir ao cinema. Primeiro, é necessário saber em qual sala está passando o filme escolhido. Se for a sala 1 do Iguatemi, tudo bem: tem corrimão e posso me segurar e ir até a poltrona. Caso contrário, só me resta torcer que o filme escolhido tenha cópia em DVD. Como as opções de bons filmes estão escassas cá na Ilha, não tenho enfrentado tanto esse problema. Li recentemente uma frase no livro "Jefrey em Veneza, Morte em Varanesi" que um dos sinais de que a velhice estava chegando foi perceber que seus joelhos doiam muito já ao levantar. No meu caso, a dor já se instalou e em meu corpo permanece durante 24 horas. Sei que tenho um agravante: obrigada a tomar imunossupressor e cortisona há mais de 20 anos (tenho um rinsinho implantado na minha barriga e graças a ele sobrevivo) mesmo querendo me fortalecer pra enfrentar as "dores nos quartos" não conseguiria.

Mas ainda tenho a memória. Lembro, recordo, reflito...Minha memória pouco me trai. Há, sim, o cansaço mental. Claro, não me exijam lembrar do tal ator de determinado filme, ou determinada cena de que filme mesmo? E também não me exijam passar uma tarde inteira conversando. Nem permanecer no meio de muita gente. Aquela algaravia, as vozes, a mistura de sons, me cansa. Mais de cinco pessoas ao meu redor já é comício. Há bem pouco tempo, não era assim, é verdade. Se antes achava que o barco da última viagem ainda estava na outra margem, aos poucos percebo que ele já percorreu boa parte do rio.

E no tempo que me resta, vou continuar olhando para os passarinhos, vendo os pescadores arrumando suas redes, o movimento das nuvens no céu, e, se possível, tentando eternizar esses momentos através da minha câmera na triste ilusão que, fixando a imagem, eternizarei a vida.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

PASSARINHOS NO IPÊ


Passarinhos - fotos: elaine borges

Da sacada, vejo o Ipê. E lá estavam, em seus galhos, um bando de passarinhos. Daí lembrei do Manoel de Barros...

DE PASSARINHOS

O frio se encolheu nos passarinhos. Ó noite congelada de jacintos! Eu estou transida de pétalas.

Para compor um tratado sobre passarinhos

É preciso por primeiro que haja um rio com árvores

e palmeiras nas margens.

E dentro dos quintais das casas que haja pelo menos goiabeiras.

E que haja por perto brejos e iguarias de brejos.

É preciso que haja insetos para os passarinhos.

Insetos de pau sobretudo que são os mais palatáveis.

A presença de libélulas seria uma boa.

O azul é muito importante na vida dos passarinhos.

Porque os passarinhos antes de belos ser eternos.

Eternos que nem ma fuga de Bach.

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Manoel de Barros

domingo, 28 de novembro de 2010

OUÇO AVES E BETHOVENS

foto: elaine borges

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e bethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

Manoel de Barros

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

AINDA OS PASSARINHOS

foto: elaine borges

Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem pássaros;Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem água; Ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros.

Jorge Luis Borges

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A voz de um passarinho me recita.

Manoel de Barros

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E a mais conhecida:

Todos estes que aí estão/Atravancando meu caminho./Eles passarão/Eu passarinho!

Mario Quintana

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A PONTE, A GATA, O PASSARINHO



fotos: elaine borges

Nem gente, ninguém, só o som dos carros que vejo da minha janela. Cá dentro, estirada no sofá, minha gatinha na sua eterna soneca ao lado da boneca pretinha. Lá fora, fios enfeitados por um passarinho. Mais adiante, a ponte. Meu feriado está assim: a ponte, a gata, o passarinho... E um céu azul com algumas nuvens.