Mostrando postagens com marcador ponte hercilio luz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ponte hercilio luz. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A PONTE AMEAÇADA


Ponte Hercílio Luz - foto: elaine borges


Após dois meses de silêncio, tô voltando. E registro a volta com a imagem que vejo da minha janela, a ponte Hercílio Luz, meu eterno tema. E agora com mais uma preocupação: a ponte está ameaçada de cair. Fechada desde 1982, passou por incontáveis reformas e agora vem a informação: técnicos alertam que nosso mais importante cartão postal pode cair. Para salvá-la são necessários mais de 150 milhões de reais, grana que o governo estadual diz não ter e vai apelar para as leis de incentivo fiscal. Triste notícia. Pior ainda quando se sabe que lá já foram enterrados rios de dinheiro visando sua recuperação. Há anos que sai governo e entra governo e as obras de recuperação nunca chegam ao fim. Nossa bela ponte está com suas bases corroídas pelo tempo e ameaça cair. É mais uma mostra de como nossos governantes tratam nosso mais importante patrimônio.

domingo, 9 de janeiro de 2011

FLORIANÓPOLIS OU FILANÓPOLIS?

Ponte Hercílio Luz - foto: elaine borges

Essa calmaria que vejo através da minha janela é pura ilusão. Sei que há filas e mais filas de carros nas rodovias que levam às praias do norte (Canasvieiras, Jurerê, Ingleses), leste ( Lagoa da Conceição, Joaquina, Mole), sul (Campeche, Pântano do Sul, Armação...). Já há quem diga que Florianópolis no verão deveria ser chamada de Filanópolis, tantos são as filas, os engarrafamentos, as brigas que estão ocorrendo nas rodoviais entre motoristas impacientes com tanto caos.

Ouvi, dias destes, no centro da Ilha, um comentário de uma turista: "Floripa, só nas praias". Ela descia a rua Vidal Ramos debaixo de uma temperatura de 30 graus (como está agora) e certamente esperava encontrar uma cidade com mais atrações (museus, lojinhas de artesanato, cafeterias...). Outro reclamava: "Está tudo muito caro, há muita exploração". E há mesmo. Quem gosta de tomar cervejinha na beira do mar está sujeito a pagar R$ 5,00 reais por uma mísera latinha. No Shopping Iguatemi paguei R$ 5,00 por um pastel e R$ 3,00 por uma cafézinho.

No ano passado, houve a promessa de que haveria banheiros e chuveiros públicos nas praias da Ilha. Promessa não cumprida.

Segurança? Após o assassinato de um turista argentino em Canasvieiras, na semana passada, as autoridades da segurança pública se apressaram em dar explicações e fazer promessas, como colocar um posto policial no norte da Ilha e aumentar o policiamento nas ruas.

Promessas, promessas, promessas. É assim todos os anos. E a Ilha de Santa Catarina aos poucos vai perdendo seu encanto.

sábado, 27 de março de 2010

HORA DO PLANETA

Ponte Hercílio Luz na escuridão - (foto: elaine borges)

O gesto é simbólico: para chamar a atenção da luta contra o aquecimento global, inúmeros monumentos mundiais, como a Torre Eiffel, em Paris, as três pirâmides do Egito, a Ópera de Sydney, a Fontana di Trevi, em Roma, permaneceram na noite deste sábado uma hora na escuridão. Foi a Hora do Planeta. Nós, cá na Ilha, também aderimos e nosso maior símbolo - a ponte Hercílio Luz - também ficou às escuras.

Foi o segundo ano que o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) organiza essa manifestação. No ano passado, a adesão foi de 88 países. Neste ano, 4 mil cidades de 125 países aderiram. Em Florianópolis, também as luzes da Praça XV foram apagadas. É mais uma manifestação para que líderes do mundo entrem em acordo para diminuir o aquecimento global. O gesto é simbólico. Há quem considere uma bobagem, mas continuo mantendo minha esperança, tanto que até as luzes do meu apartamento eu apaguei.

terça-feira, 12 de maio de 2009

VOZES DA PONTE

Foto: elaine borges

PARECIA UM SONHO

Nossa, quando vi parecia que eu estava sonhando!
Depois da primeira emoção vim várias vezes ver
o sol se esconder, ver o mar, a ponte e todo aquele
brilho refletido na água. Há doze anos, quando
venho trabalhar, vejo o mar, a ponte, o pôr-do-sol...
Antes eu só tinha visto o mar pela televisão.
Depois que vi a ponte Hercílio Luz pela primeira vez,
gostava de passar a pé sobre ela várias vezes.
Andava pra lá e pra cá. Essa imagem sempre foi pra
mim muito forte...

Leomar Rohling tinha 18 anos quando viu o mar e a ponte Hercílio Luz pela primeira vez. Em 2002, já com 30 anos, trabalhava como garçom em um restaurante bem próximo à ponte.

UMA OBRA DE DEUS

Eu chorava tanto, tanto que meu pai, segurando minha mão, dizia:calma filha, tu não vai cair...Eu tinha onze anos e muito medo de atravessar a ponte.Lá embaixo eu via o mar, entre as tábuas, e o medo aumentava.Quando completei 21 anos nasceu meu filho, Ademir.Ele tinha dois meses e eu ia no posto de saúdebuscar leite em pó. Segurava bem ele nos meus braços e lá ia eu. Mais tarde nasceu minha filha, Arlete.De novo tinha que atravessar a ponte. Sempre com medo. A última vez que passei a pé foi para ir ao circo. Aí foi pura farra.
Passamos fazendo bagunça, eu e umas amigas. Lembro que lá na ponta ainda paramos e ficamos olhando toda aquela estrutura de ferro.
Mas meu sonho era
atravessar de bicicleta. Nunca consegui. Acho que seria bem gostoso.
A ponte é pra mim uma obra de Deus, uma guia, é a vida sendo renovada.


Martinha Luiza de Farias é manipuladora de pescados e quando deu esse depoimento fazia 24 anos que trabalhava bem ali, pertinho da ponte, no lado continental. E dizia que, antes de voltar para casa, gostava de ficar contemplando a ponte: “Me acostumei com ela, gosto de olhar”.

Entrevistei Leomar e Martinha para o livro Hercílio Luz – Uma Ponte (Tempo Editorial) publicado em dezembro de 2002.

A Ponte Hercílio Luz hoje está fazendo 83 anos. Foi inaugurada em 13 de maio de 1926. Sua estrutura de aço foi trazida dos Estados Unidos. Tem 819 metros de comprimento, as duas torres medem 75 metros e o vão central 43 metros a partir do nível do mar. Fechada em 1982, há alguns anos está em reforma.

domingo, 22 de março de 2009

FLORIANÓPOLIS, A CIDADE QUE EU AMO


Mal tratada, explorada, judiada, poluída, às vezes caótica, mal administrada...Florianópolis, a cidade que escolhi para morar e aqui vivo, não era assim quando aqui cheguei. Vi quando construíram a Av.Beira Mar. Muito atravessei a ponte Hercílio Luz. Pisei nos paralepípedos da Rua Felipe Schmidt onde comia pastel com guaraná no Bar da Japonês. Acompanhei vários blocos de carnaval ao redor da Praça XV. Subi o Morro da Caixa várias vezes para entrevistar a turma da Copa Lord. Vi escolas de samba desfilar nas ruas centrais, onde o máximo que havia eram cordões de isolamento.
Chegar às praias do norte da Ilha exigia paciência, às vezes o carro atolava. No verão, nada mais gostoso do que comer pastel no Bar da Princesa, na Croa (hoje Jurerê), ou risoto de camarão no restaurante do Leca, na Lagoa da Conceição, uma casa de madeira com cadeiras de palha. Subir o Morro das Sete Voltas da Lagoa da Conceição em dia chuvoso também exigia certa cautela: as rodas do carro deslizavam nas lajotas (sei de amigos cujo carro despencou e só não houve tragédia maior porque as árvores, logo abaixo, amenizaram a queda).
Outro passeio agradável era ir rumo às praias do sul, passando por Ribeirão da Ilha e, lá na ponta, percorrer a pé uma estradinha morro acima e chegar no Saquinho, local ainda primitivo, habitado por famílias que não conheciam o centro de Florianópolis...



Fotos: elaine borges

Essa foi a Florianópolis que conheci. Saudades daquele tempo? Sim. Mas o que entristece não são as lembranças de um tempo que já passou. O que entristece é ver como essa bela Ilha, a mais bonita cidade que conheço, é tão mal administrada. Como não cuidam dessa beleza toda. Olho para os lados e ainda me encanto. Vejo a beleza ao meu redor. Fotografo, registro, talvez tentando "salvar", através do meu olhar, tanta beleza, tanta luz, tanto mar. Olho para o céu, ora azul, cinza, nublado, mas como é bonito o céu da Ilha! Como essa cidade é linda, meu Deus. É aqui que escolhi morar e aqui certamente morrerei. E já pedi: quero que joguem minhas cinzas nesta Ilha. É aqui, na cidade que amanhã completará 283 anos, que escolhi para sempre ficar. Mas, por favor, cuidem melhor desse tesouro.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A FORÇA DE UM POVO



Posted by Picasafoto: elaineborges

Na SC-401 (que leva às praias do norte), o tráfego está funcionando em duas pistas com desvio pelo bairro de Cacupé; ruas dos bairros Campeche, Morro das Pedras, Costeira e Areias do Campeche, todas no sul da Ilha, somente nos últimos dias estão sendo drenadas. Desde a enchente, há 15 dias, várias pessoas continuavam com dificuldades para transitar por lá. Segundo li no DC, a justificativa da Defesa Civil de Florianópolis foi de que só poderiam usar as bombas de drenagem com tempo seco.

Por aqui, portanto, os problemas - mínimos - aos poucos vão sendo sanados. E já dá pra continuar olhando - e fotografando - a ponte Hercílio Luz no final da tarde.

No Vale do Itajaí, há um imenso esforço das vítimas da grande tragédia para voltar ao seu cotidiano. Emocionante ver senhores, mulheres, jovens, trabalhando, varrendo as ruas, voltando às fábricas, recolhendo imensos entulhos, restos do que sobrou de suas casas... Emociona ver como este povo é forte. E à medida que parentes buscam os sobreviventes, ouve-se dramas individuais, muito, mas muito tristes: como daquele homem que, sozinho, perambula pelas ruas de Blumenau. Este homem perdeu toda a família e nada o convence a buscar abrigo nos tantos espalhados pela região. Ou daquele outro que ontem perdeu os pais: teimosos, o casal voltou à casa interditada, em Gaspar, pra dar milho às galinhas. Foram engolidos por um monte de terra que deslizou do morro próximo. Ao filho só restou, com a ajuda dos homens do Corpo de Bombeiros, tentarem encontrar os corpos dos pais.

E os números das vítimas fatais aumentam: 122, até ontem. Mas há 21 pessoas desaparecidas somente em Ilhota, um dos municípios mais duramente atingidos pelas enchentes. Os homens da Força Nacional e do Corpo de Bombeiros continuam por lá, com a triste missão de localizar os mortos. Enquanto isso, outros grupos percorrem a região assinalando as casas irremediavelmente condenadas. Quem recebe um sinal B fica aliviado: sinal de que a casa está boa e pode voltar a ser habitada. Até ontem, mais de 60 tinham sido condenadas.