quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MATANDO A SEDE

 
 
Baby matando a sede ( fotos: elaine borges)

Com esse calorão fora de época, minha amiguinha de quatro patas têm preferido saciar sua sede tomando água na torneira da pia do banheiro. Tanto ela como nós, de duas patas, estamos sofrendo muito com esse tempo seco. E a previsão é de que até domingo nada mudará, as temperaturas continuarão elevadas. Para onde foi o inverno? Não teremos mais aqueles dias gelados, com vento sul, tão característicos dessa estação? Que pena. Sempre preferi temperaturas baixas. O inverno e o outono ( minha estação predileta) convidam ao aconchego, a beber mais vinho, chocolate quente, café com bolo de milho...    

terça-feira, 21 de agosto de 2012

NÓS, OS SETENTÕES

 
 
Gilberto Gil ( fotos: elaine borges - arquivo pessoal)

Sobre Gilberto Gil (post abaixo) há ainda dois momentos em que eu estava próxima: durante sua prisão em Florianópolis em uma ação risível do famoso delegado Elói, e em um show no Lagoa Iate Club. Da prisão, muito já se disse e muito se escreveu. Entrevistei-o também  nessas duas ocasiões. O meu amigo Orestes Araujo, do jornal O Estado (hoje extinto) fez as fotos no LIC (não sei onde estão, um dia acharei). Faço o registro só para lembrar que o tempo passa, mas os setentões continuam na área. E eu com eles, sobrevivendo. Às vezes, (no meu caso) com alguns percalços pelo caminho. Mas, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil
(1980)

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar.

EXPLICANDO O SILÊNCIO

 
Ipês na Lagoa da Conceição (foto: elaine borges)

Pronto, acabou o período de silêncio. Voltei. Não que nesse período não tivesse "escrito" mentalmente muitos textos cá na minha cachola. Muitas vezes o texto já estava prontinho. Só faltava o gesto decisivo:  sentar na frente do computador e teclar. Mas não sei que forças estranhas me impediam de fazer o gesto necessário: teclar, teclar e se deixar levar por aquele impulso inexplicável que só quem escreve entende. Uma vez escrevi um texto que começava assim: "Hoje vi um beija flor paradinho num fino galho seco de uma árvore bem ao lado da sacada onde eu estava. Olhei e sabia que a cena era unica. Eu não mais veria um pequenino passarinho, ali, virando o bico e, em segundos, alçar vôo. Pensei em pegar minha câmera para registrar aquele momento que sabia ser raro. Desisti. O movimento do meu corpo espantaria o bichinho. Curti o momento que nunca mais se repetiria".

Outro texto que "escrevi" era sobre os setentões famosos e os nem tanto: Gilberto Gil, Caetano Veloso,  Milton Nascimento, Paulinho da Viola... Daí lembrei que tinha umas fotos em PB de um deles, Gilberto Gil. As fotos foram feitas no início da década de 70, quando Gil foi a Porto Alegre e deu uma longa entrevista ao Juarez Fonseca, repórter da Zero Hora. Eu e alguns amigos conseguimos - com certa insistência - acompanhar o encontro em um hotel da capital gaúcha. Lembro dos gestos do Gil, sua postura, sua fala mansa. Não me perguntem o que ele disse. Não me fixei muito na sua fala mas sim nos seus gestos, no movimento dos braços, das mãos... Lembro que ele movimentava tanto os braços que parecia que iriam se transformar em asas e dali voaria através da janela. Foram esses movimento que tentei captar com minha câmera.

Mas o que eu queria escrever era sobre o tempo: setenta anos. E percebi que todos são meus contemporâneos (estou quase lá) . Nossa juventude foi vivida na década de sessenta. Conheço pessoas que tem saudades dessa década, embora tenham nascido muito depois. E com certa razão. Temos uma rica história para contar.  Nas rádios, nos toca discos (ainda curto os discos de vinil) ouvíamos Beatles, Rolling Stones, Paul Simon, Nina Simone... Nos cinemas víamos Bergman, Fellini, Monicelli,   Leone, Resnais, Godard, Terra em Transe, Vidas Secas... Percorríamos distâncias na base da carona sem medo de assaltos. Tínhamos uma fé cega de que o mundo mudaria e seria bem mais fraterno. E chegaria o dia em que o homem desfilaria com "um girassol na lapela" como dizia Thiago de Melo no Estatuto dos Homens. Santa esperança. Houve um dia que ouvíamos as músicas do Gil, Caetano, Milton, e tantos outros com o coração leve.

PS: Se não mais escrevi, continuei e continuo tentando captar o mundo que me cerca através da fotografia. E o elogio do Orlando Tambosi ( sobre a foto da collie, a linda Lola olhando a paisagem) me deixou imensamente envaidecida. Obrigada caro colega.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

LOLA EM SEU POSTO DE OBSERVAÇÃO

 
Lola, a collie (foto: elaine borges)


Após a chuva, bela Lola, a collie, voltou para seu posto de observação favorito e lá ficou atenta ao movimento da rua.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS AZUIS NA LAGOA.

 
Pôr de sol na Lagoa ( foto:: elaine borges )


Impossível não registrar os belos dias cá na Lagoa. O final da tarde hoje estava assim: com nuvens em tons de azul, um brilho suave lá no contorno dos morros, a lagoa, ao centro, e pequenas pontos de luz no Retiro...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

RENDAS, SOL, MAR...

 
Contraluz ( foto: elaine borges)

Sol refletindo na janela, transpassando a cortina rendada e, lá atrás, o mar. Imagens de uma tarde ensolarada cá na Ilha.

sábado, 9 de junho de 2012

TARDE DE SÁBADO NA LAGOA

 
Lagoa da Conceição (foto: elaine borges)

Um solitário homem enfrentava o frio remando em sua prancha lá no meio da lagoa nesta fria tarde de sábado. 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

SUL GELADO

 
 
Frio no sul (fotos:elaine borges - arquivo)

Já vi algumas vezes as belíssimas paisagens de inverno cá no sul: campos branquinhos, árvores enfeitados de pedaços de gelo, homens com ponchos (ou palas)...Já saí cedinho de casa, quebrando gelo. Nem sempre as botas protegiam suficientemente os pés. Às vezes, forrava as botas com pedaços de jornal. Em São Joaquim, na festa da maçã, vi crianças tremendo de frio à espera de uma autoridade qualquer ( sempre atrasada) para dar início às festividades. Frio, gelo, neve, trazem boas e más lembranças. Moradores dessas regiões mais geladas, recolhem lenha para acender os fogões. Nestes últimos dias, os termômetros marcaram baixíssimas temperaturas ( em cinco municipios de Santa Catarina as temperaturas oscilaram de 1 à 9 graus negativos). Em Florianópolis hoje a mínima chegou à 7 graus pela manhã, mas a sensação térmica era de 1 grau. O sul está gelado e assim vai permanecer até amanhã. Confesso que gosto do inverno, tanto quanto do outono. Gosto da luz do outono. E o inverno pede recolhimento, leituras, ver bons filmes em casa, tomar chocolate quente, cafézinho...Pequenos prazeres que dão sentido a vida.

domingo, 3 de junho de 2012

BABY EM TRÊS MOMENTOS

 
 
 
Baby, a gata ( fotos: elaine borges) 

Alguem disse uma vez que entre os pequenos felinos, os gatos são uma obra de arte. Vendo minha amiguinha de quatro patas tenho que concordar. Ela está quase sempre pronta, disponível,  como a espera para ouvir  o "clic" e, voilá, lá está ela, reproduzida na pequena tela da minha câmera. Quando a observo, vejo um pequeno bibelô cheio de pêlos, ali, ao meu lado, dormindo, olhando ao longe ( o que? não sei, há mistérios nesse olhar). Silenciosa, às vezes mostra a barriga, contrai as patinhas e volta a dormir.  Assim ela passa os dias, quietinha. Dona do seu espaço, sabe que aqui ela reina. E só chama, miando alto, quando quer bater um papinho com os duas patas (nós, humanos). Nesses momentos, após chamar, volta a miar bem baixinho, como se estivesse entabulando uma conversa. Assim são os gatinhos, essas pequenas obras primas ambulantes.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

TUDO AZUL CÁ NA ILHA

 
Ponte Hercílio Luz (foto: elaine borges)

Azul no céu, no mar... Da janela, vejo a ponte Hercílio Luz. Gosto de saber que ela está lá, imponente. Mas temo que não mais resista a força do vento e desabe. Desde 1982 a ponte está interdita. De lá até hoje um monte de dinheiro foi destinado para sua recuperação. Talvez se um dia fizessem uma auditoria, saberíamos onde, de fato, foi parar tanta grana. Sabe-se que parte de sua estrutura está com ferrugens. Assim, o perigo de que a ponte um dia tombe, é real. Por isso, quando olho da minha janela e vejo-a lá, ao alcance dos meus olhos, fico feliz e, mais uma vez, registro com a minha câmera, a ponte Hercílio Luz, um dos mais bonitos cartões postais de Florianópolis.