terça-feira, 31 de março de 2009

UM BREVE INTERVALO

foto: elaine borges

Probleminhas de saúde me impedem de manter o blog nesse período. Creio que essa ausência durará poucos dias. Enquanto isso, deixo a foto da Bibi, a gata, que nos últimos dias tem se mantido atenta às músicas que escuto no meu toca-discos. Curiosa, como todos os gatos, permaneceu algumas horas olhando aquela geringonça. Bom, expliquei-lhe rapidamente como funcionava tão estranho aparelho ( agulha, braço, prato, cuidados para não arranhar o LP...). Mesmo assim, ela ficou encantada com o som que dele saia. E eu também.

Por enquanto, deixo com voces essa imagem. Breve, voltarei.

sábado, 28 de março de 2009

E A HERCÍLIO FICOU SEM LUZ


Bastou um clic e pronto, a ponte Hercílio Luz ficou no escuro. É a adesão de Florianópolis ao movimento da Ong WWF que pedia que o mundo apagasse as luzes de seus monumentos mais importantes num gesto simbólico chamando a atenção para o aquecimento global. Mas, confesso: é muito sem graça olhar da minha janela e não ver a ponte, apenas seu contorno de ferro que, na foto que bati minutos após o início do que chamaram a "Hora do Planeta" , pouco se vê. Se vai adiantar alguma coisa? Tenho cá minhas dúvidas.

O OUTRO LADO DO MAR

Foto: elaine borges
Nova Trento é um daqueles cantinhos do mundo onde se vai em busca de paz. Todos que lá estão se recolhem e, em silêncio, rezam por um mundo melhor. Fica do outro lado mar, pertinho de Florianópolis. Lá, o que se vê são montanhas e, incrustado no verde vale, a bela igrejinha.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A GATA, O MANJERICÃO E AS NOTÍCIAS


Foto: elaine borges

Hoje, minha sábia gata preferiu tratar do seu estômago e permaneceu alguns minutos saboreando folhinhas de manjericão enquanto, de soslaio, me dizia que o enjoo talvez tenha sido causado ao ver as últimas notícias nas emissoras de TV. Lá do seu canto, com as patinhas na poltrona, mastigando as folhas de tão perfumado tempero, refletia: "Pode alguem ser condenado a 93 anos de prisão em primeira instância?" Referia-se ao caso Daslu e a prisão de uma de suas proprietárias, Eliane Tranchesi (mais tarde, ela soube que a moça havia sido solta através de habeas corpus). Claro, o grupo sonegou escancaradamente. Mas minha gatinha não entendia a razão de tanta pirotecnia. Seria apenas pra dizer que há justiça no país e os ricos também vão presos? Ora, ora, quanta bobagem. Ainda havia o caso Camargo Correa e também outra dúvida da gatinha: "Por que só os partidos da oposição estão nesse imbroglio?"

E não satisfeita com o que viu na TV, lembrou também da fala do Lula ao culpar "os brancos de olhos azuis" pela crise que assola o mundo. Mais bobagens - o que não surpreendeu a gata. "Vindo de quem veio, tudo é possível", disse. Lembrou também das promessas da equipe palaciana: construir um milhão de moradias pra quem ganha até tres salários mínimos. "E não me cobrem prazos - disse Lula - pode ser em 2009, 2010, até 2011...". Bom, assim é até fácil governar. É a mesma coisa que dizer: "prometo deixar de fumar, não sei quando, mas um dia eu vou parar". A gatinha ouviu em algum noticiário que até hoje, no governo Lula, construíram menos de 200 moradias. Logo, esta "é mais uma promessa de campanha", e eu concordei plenamente. "E a infraestrutura, a rede de esgotos, água, transporte...Vai ter tudo isso nas áreas onde serão construídas essas residências?" Minha gatinha mastigou mais um pouquinho as folhas de manjericão e preferiu voltar ao cantinho do sofá pra sua costumeira soneca.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O JARDIM E OS JARDINEIROS


Foto: elaine borges (*)


O Canteiro Está Molhado


Cecília Meireles


O canteiro está molhado.

Trarei flores do canteiro,

Para cobrir o teu sono.

Dorme, dorme, a chuva desce,

Molha as flores do canteiro.

Noite molhada de chuva,

Sem vento, nem ventania,

Noite de mar e lembranças...


(*) A foto foi tirada hoje de manhã, próximo à rodoviária, no centro de Florianópolis.

domingo, 22 de março de 2009

FLORIANÓPOLIS, A CIDADE QUE EU AMO


Mal tratada, explorada, judiada, poluída, às vezes caótica, mal administrada...Florianópolis, a cidade que escolhi para morar e aqui vivo, não era assim quando aqui cheguei. Vi quando construíram a Av.Beira Mar. Muito atravessei a ponte Hercílio Luz. Pisei nos paralepípedos da Rua Felipe Schmidt onde comia pastel com guaraná no Bar da Japonês. Acompanhei vários blocos de carnaval ao redor da Praça XV. Subi o Morro da Caixa várias vezes para entrevistar a turma da Copa Lord. Vi escolas de samba desfilar nas ruas centrais, onde o máximo que havia eram cordões de isolamento.
Chegar às praias do norte da Ilha exigia paciência, às vezes o carro atolava. No verão, nada mais gostoso do que comer pastel no Bar da Princesa, na Croa (hoje Jurerê), ou risoto de camarão no restaurante do Leca, na Lagoa da Conceição, uma casa de madeira com cadeiras de palha. Subir o Morro das Sete Voltas da Lagoa da Conceição em dia chuvoso também exigia certa cautela: as rodas do carro deslizavam nas lajotas (sei de amigos cujo carro despencou e só não houve tragédia maior porque as árvores, logo abaixo, amenizaram a queda).
Outro passeio agradável era ir rumo às praias do sul, passando por Ribeirão da Ilha e, lá na ponta, percorrer a pé uma estradinha morro acima e chegar no Saquinho, local ainda primitivo, habitado por famílias que não conheciam o centro de Florianópolis...



Fotos: elaine borges

Essa foi a Florianópolis que conheci. Saudades daquele tempo? Sim. Mas o que entristece não são as lembranças de um tempo que já passou. O que entristece é ver como essa bela Ilha, a mais bonita cidade que conheço, é tão mal administrada. Como não cuidam dessa beleza toda. Olho para os lados e ainda me encanto. Vejo a beleza ao meu redor. Fotografo, registro, talvez tentando "salvar", através do meu olhar, tanta beleza, tanta luz, tanto mar. Olho para o céu, ora azul, cinza, nublado, mas como é bonito o céu da Ilha! Como essa cidade é linda, meu Deus. É aqui que escolhi morar e aqui certamente morrerei. E já pedi: quero que joguem minhas cinzas nesta Ilha. É aqui, na cidade que amanhã completará 283 anos, que escolhi para sempre ficar. Mas, por favor, cuidem melhor desse tesouro.

MÚSICA PARA AMENIZAR A DOR



Sim, as fotos são de um LP duplo, os queridos "bolachões", discos de vinil, da maravilhosa dupla Simon and Garfunkel. O LP (duplo) contem várias músicas das mais belas que não canso de escutar. São tão melodiosas, tão suaves, tão musicalmente bem arranjadas que duvido encontrar quem não goste. Este LP é de um show ao vivo, no Central Park de Nova York, em Setembro de 1981. O público, imenso, delira a cada música que a dupla começa a cantar. Naquele dia eles cantaram "America", "Me and Julio Down by the Schoollyard", "A Heart in New York" , "The Boxer", "Old Friends", "The Sounds of Silence" "Bridge Over Troubled Water"... e por aí vai, cada um mais linda que a outra.

Mas por que fui hoje ao meu bau particular de discos de vinil? Porque sempre acreditei que é pela música que se pode levar a vida com mais leveza. Porque vi, nesta semana, a dor de uma mãe que perdeu seu filho. E não há dor maior do que pais enterrarem filhos. Aquela imagem, da mãe junto ao caixão do filho, acariciando-o, num gesto de derradeira despedida, era de pura tristeza e dor. E hoje, pensando naquela imagem, gostaria muito de ajudar essa mãe e esse pai a transformar essa dor em sons suaves, e que esse sons os ajudassem a continuar a vida. Sei que ela gosta e escuta muita música. Talvez este não seja o momento de falar em música. Mas me aproximo das pessoas pelos sons, pela troca harmoniosa das melodias que nos tocam. Através da música não há necessidade da palavra. Basta ouvir e ficar ali, deixando o som tomar conta do ambiente. E gostaria muito de, com esse meu gesto (talvez meio bobo), sugerir que a música entre cada vez mais na vida de ambos. E, através dos sons vários que existem por esse mundo, a dor da perda seja amenizada.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A FALTA QUE A ARTE FAZ

La Dentellière - Johannes Vermeer (1632/1675)

O contraste, a luz indireta, o silêncio, objetos simples, as mãos delicadamente costurando um pano, a concentração, o claro-escuro, uma cena doméstica simples, uma mulher sentada, costurando, alheia ao mundo externo. Essa é uma das mais belas pinturas que vi (no Louvre, em Paris) e que, lendo um artigo no Estadão de ontem, do Arnaldo Jabor, me veio imediatamente à mente. O articulista dizia que a "a obra de arte tem de ser exaltante", citando Stravinski. Vendo pinturas como as do Vermeer logo sabemos que estamos diante do belo, de uma obra-prima. Há ali o momento único registrado pela sensibilidade de um artista. Sensações semelhantes sentimos quando vemos um Van Gogh, Guignard, Velasquez, Rubens, Da Vinci, as esculturas do Rodin... Contemplar obras de grandes artistas acrescentam algo à nossa vida. Precisamos olhar, contemplar. Há felicidade, ela surge e sabemos que estamos vivendo um momento único quando nos deparamos com pinturas, esculturas, fotografias que nos emocionam, que "falam" conosco. Que, como escreveu Jabor, são "exaltantes". E - confesso - ultimamente tenho sentido falta dessa arte tão necessária para nossas vidas.

terça-feira, 17 de março de 2009

O ARCO-ÍRIS QUE NÃO VI

Foto:elaine borges
Toda vez que surge no céu um arco-íris corro pra fotografar. Ontem, foi um dia. Recebi um telefonema da Lagoa: "Estás vendo o arco-íris?" Era o final da tarde. Corri pra janela já com a minha câmera e - frustração - meu céu estava com nuvens, pontos de cinzas, azuis, mas nada do arco-íris. Aí resolvi publicar de novo esse que aí está, que apareceu lá no Morro da Cruz em novembro do ano passado. Belíssimo. A foto é de arquivo, apenas pra amenizar minha pequena tristeza.

segunda-feira, 16 de março de 2009

QUE SARNA DOS INFERNOS!

Recebi, via e-mail, o texto abaixo, citando o grande poder que a família Sarney tem no Maranhão. Aliás, nada aí é novidade. Todos sabem: quem manda no Maranhão é a família Sarney. Ontem vi, no Fantástico, a revoltante situação de homens trabalhando em regime de escravidão no interior do Maranhão. As imagens eram revoltantes: escassos grãos de feijão, pequenas porções de arroz, água em galões sujos... Esse é o Brasil profundo, da miséria , da fome, da exploração...

Vale a reprodução:

Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
para morar, uma destas vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;
para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura ser propriedade de um tal de José Sarney;
para inteirar-se das notícias, leia o jornal "O Estado do Maranhão", ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do dito José Sarney. Se estiver no interior do Estado, ligue numa das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmíssimo José Sarney;
para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém-batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no pobre Maranhão não tem nenhum valor);
para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas maravilhosas rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.
Não gostou de nada disso? Quer reclamar? Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney...

Que sarna dos infernos! Infeliz Maranhão, infeliz Brasil!