sábado, 30 de janeiro de 2010

CENA RARA: UM "PASSEIO" NA PONTE

foto: elaine borges

Da janela do meu apartamento vi agora (meio-dia) essa cena bem rara: várias pessoas passeando na ponte Hercílio Luz. Talvez fosse uma equipe supervisionando as obras. Não sei informar. Estranhei porque, com esse calorão, passear na ponte não é um programa lá muito agradável. Fechada desde 1982 para reparos (ameaçava cair) há um mistério nessa reforma: entra governo, sai governo e a reforma continua. Há algumas semanas um operário que trabalhou na ponte me disse que sempre fazia a mesma coisa e nunca via avanço nas reformas. Preferiu deixar o emprego.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

OS GATOS E SEUS MISTÉRIOS

foto: elaine borges

Não se enganem. Esse olhar da minha gatinha não significa submissão. Os gatos desenvolveram a arte do encantamento e quando olham assim, aos pés do dono, apenas deixam entrever uma pequena paixão por aqueles que dão a eles ração, abrigo e carinho. Esse olhar da Baby, que me surpreende a cada momento, em especial quando estou lendo, não me permite vislumbrar qualquer sinal que não seja de mistério. Apenas sei que aqueles olhos escondem um mundo interior que nós, humanos, jamais conseguiremos decifrar.

FLORIANÓPOLIS E AS DEMOLIÇÕES

As ações têm sido rápidas. Máquinas pesadas avançam em direção as casas e vão derrubando tudo. Já foram demolidos o Kioske do Pirata na Praia Brava, um deck construído na Lagoa da Conceição e quatro edificações na praia da Armação e Lagoa do Peri, sul da Ilha. Gerson Basso, diretor superintendente da Fundação do Meio Ambiente, em várias entrevistas tem sido enfático: “Nossa intenção com essas demolições não é trazer o caos para a cidade, mas sim fazer valer a lei sem distinção se é rico ou pobre”.


As ações de demolição são aplaudidas por todos os defensores do meio ambiente. Construções irregulares devem, sim, serem demolidas. Mas há uma pergunta no ar ainda sem resposta convincente do diretor da FLORAM: Se a lei é para todos, por que aquela mansão de 1.536 m², propriedade de Dilmo Wanderley Berger, localizada na Rua Desembargador Pedro Silva, em Coqueiros, entre as praias da Saudade e do Meio, construída sobre o mar, continua lá, embora já tenha sido objeto de ação do Ministério Público Federal de Santa Catarina? Essa pergunta já foi feita nesta semana diretamente ao Sr. Basso, em entrevista à CBN/Diário. Sua justificativa: quando Angela Amin era prefeita concedeu o habite-se, portanto, ele nada pode fazer. Não é necessário dizer o óbvio: Dilmo é irmão de Dario que é prefeito de Florianópolis e chefe do Gerson Basso.


Basso informou que tem 5.000 processos tramitando no setor jurídico da FLORAM e que, aos poucos, sua equipe vai analisando e, quando necessário, autorizar as demolições. Disse contar com total apoio do prefeito e agirá de acordo com a lei (“sem distinção se é rico ou pobre”). E se o dono do imóvel construído em promontório e terras da marinha for irmão do prefeito? E se em tantos outros imóveis,visivelmente construídos em áreas de preservação permanente, seus proprietários são pessoas influentes, com fortes ligações com empresários da construção civil? E se houver um jogo de interesse entre promotores de grandes eventos e o poder público? Nesses casos, a lei também será aplicada?


Gostaria de ouvir uma resposta afirmativa. Resposta que não ouvirei. Que pena. A cidade continuará, aos poucos, vendo suas áreas mais nobres sendo ocupadas de forma desordenada e sem obediência às leis de proteção ao meio ambiente.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

NOVA MANEIRA DE SACIAR A SEDE

foto: elaine borges

A Baby é assim: quando tem fome, come; quando tem sono, tira longas sonecas, ou seja, passa grande parte do dia dormindo. Mas quando tem sede, só tem um lugar que ela gosta de tomar água: na torneira da pia. Coloca a linguinha junto à torneira e ali permanece, sorvendo pequenos pingos d'água. E com o calorão dos últimos dias, como o de hoje cuja sensação térmica chegou a 35° no início da tarde, passou um bom tempo lá, saciando a sede.

FLORIANÓPOLIS TERÁ BAILE PÚBLICO

A comissão organizadora do Carnaval voltou atrás: vai ter Baile Pública no Largo da Alfandega. Com um detalhe:, sem reggae ou funk por que, segundo os organizadores, esse tipo de música deixa os ânimos mais exaltados e pode suscitar brigas. Só poderão tocar samba, samba enredo e marchinhas. É mais uma bobagem. Mas o importante é que vai haver Baile Público e o povão vai poder se divertir.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CARNAVAL SEM POVO

(Reprodução)

Houve um tempo que nós tínhamos um dos melhores carnavais do sul do país. As ruas centrais de Florianópolis ficavam lotadas de gente: blocos de sujo, bandinhas, baterias de alguma escola de samba... O povão solto, brincando, se divertindo. Hoje fiquei sabendo que não haverá baile público e nem o concurso de fantasias dos alegres rapazes na Avenida Hercílio Luz. Motivo alegado pela comissão organizadora do carnaval: falta de segurança. No ano passado uma pessoa foi assassinada, houve muita brigas, tumultos... Daí pergunto: e nas outras capitais, como Salvador, Recife, Rio de Janeiro, não há tumulto, um montão de gente nas ruas, prisões e até mortes? E a programação continua. Não seria mais correto aumentar o policiamento? Se as proibições continuarem, vai haver um dia que o carnaval na Ilha se limitará aos desfiles na passarela Nego Querido. Tudo muito certinho, muito arrumadinho. E sem graça. O povo se limitará a olhar sem participar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

UM DIA DE CHUVA

Ponte Hercílio Luz ontem, ao final da tarde (foto: elaine borges)

Um Dia de Chuva

Alberto Caeiro

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é.

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Quando olho através da janela a paisagem que vejo é de inverno. O mês de Janeiro tem sido assim. E, segundo a previsão do tempo, sábado e domingo a chuva vai novamante aparecer. Eu não reclamo. Dias assim são também bonitos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

JORNALISTAS E O MUNDO REAL (2)

Caro Nei, talvez eu não tenha escrito com a devida clareza meu texto. “A turma que faz o blog” são vocês (Nei Duclós, Cesar Valente, Zanoni Antunes e Mario Medaglia) do Jornalistas de Bobeira. Basta ler na coluna da direita do blog.
Talvez o que não tenha ficado muito claro foi o adendo, ou detalhe, que quis acrescentar para criticar a enorme importância que colunistas, repórteres, comentaristas, estão dando a questão do vice-governador Leonel Pavan. Ou seja, além dessa estranha especialidade da nossa profissão que é, na essência, perguntar e obter respostas, como bem enfatizas no teu texto (O Estranho Especialista) quis acrescentar que há uma outra especialidade que estamos perdendo: a de ter o devido faro para perceber que aquilo que parece tão essencial, não tem tanta importância para o homem comum, o da planície. Cansei de ouvir comentaristas dizerem que “os catarinenses” estão acompanhando de perto essa questão do troca-troca do governo: sai o governador, assume o presidente do TJ, depois assume o vice que enfrenta problemas na justiça...
No entanto, o que percebo é que o “o povo”, como vários colegas insistem em dizer, pouco está interessado nesse assunto. Que, claro, é notícia e merece ser abordado, mas não com tanta ênfase como se tivesse vital importância para os catarinenses.
É isso, caro Duclós. Embora com tantos anos na profissão, nem sempre consigo escrever com a devida clareza como gostaria.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

JORNALISTAS E O MUNDO REAL

Nei Duclós postou um comentáriolá no blog da turma e me fez pensar em outro detalhe (e por ser detalhe não quer dizer que não seja importante) relativo à nossa profissão. Trata-se do assunto que "todos os catarinenses estão acompanhando": o imbroglio em que se meteu o vice-governador Leonel Pavan, acusado pelo Ministério Público de "corrupção passiva, advocacia administrativa e quebra de sigilo funcional" em consequencia do que a Polícia Federal chamou Operação Transparência.
Transformado em "assunto do momento", comentaristas, repórteres, colunistas, têm se dedicado a escrever, comentar, entrevistar, opinar sobre tão candente tema. Em meu mundinho cá debaixo e bem longe do poder, conversando com taxistas, gente comum, faxineiras, porteiros, amigos, pergunto sempre: "Voces sabem como está o caso Pavan?" Poucos me respondem. Dos taxistas - muito bem informados - quase sempre ouço o mesmo comentário: "Políticos? É tudo um bando de ladrões!"
Duclós, no seu texto, escreveu: "A especialidade do jornalista não é decifrar, mas arrancar da fonte a chave do enigma. No fundo, é um especialista em não saber, que vive das perguntas que faz e das respostas que obtém e veícula por meio de um texto, de uma fala própria, composta pelo próprio jornalista em pleno exercício de sua profissão em regime de liberdade".
Pois eu penso que jornalista é tambem aquele que desce do mundo "lá de cima", afasta-se do excessivo convívio com os governantes, e passa a ouvir, a escutar gente miúda, a conviver com o homem comum. Pois a esse homem comum pouco interessa saber da Operação Transparência envolvendo o vice-governador, empresários, funcionários públicos do alto escalão em corrupção passiva, quebra de sigilo funcional...
Por isso, acho estranho quando observo a ênfase dada ao assunto que "os catarinenses estão acompanhando". Parece que todos estão atentos, acompanhando com interesse tão candente questão:"Leonel Pavan vai ou não assumir o governo? É culpado ou não? A tríplice aliança permanece para as eleições deste ano? E o presidente do Tribunal de Justiça vai assumir o governo quando Luis Henrique da Silveira viajar (de novo?)."
E chego a uma triste conclusão: nós, jornalistas, estamos cada vez mais distantes do mundo real.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

NEGA TIDE SAI DE CENA

Foto: Hermínio Nunes (DC)

A primeira fez que vi Nega Tide sambando foi quando os desfiles das Escolas de Samba eram ao redor da Praça XV. Todo mundo se amontoava ao redor da Praça, junto ao meio fio, esperando pra ver o desfile das Escolas. Uma batucada ensurdecedora anunciava que as Escolas estavam próximas. Em uma delas sobressaia uma mulher alta, negra, um sorriso imenso, mãos pra cima, requebrando, agitando a plateia, cativando o povo que lá estava. A impressão que dava era que todos que lá estavam esperavam ela, a Nega Tide. Gritavam: ”Vai Nega Tide! Estás linda!” E ela sorria, acenava, jogava beijos e sambava. E como sambava!
O tempo foi passando e a Nega Tide se tornou o símbolo do carnaval de Florianópolis. Eleita Cidadão Samba seis vezes, ultimamente ocupava lugar de destaque em todos os desfiles. Sua presença na passarela era imprescindível. E sempre suscitava comentários: “Lá vem ela, a Nega Tide”. E ela, já demonstrando a passagem do tempo, surgia, sempre com aquele largo sorriso, esbanjando simpatia, segura de que, entre todas, era a nossa sambista número um, a Cidadã Samba. Não tinha cetro, nem coroa, mas era também a rainha do nosso carnaval. Seu reinado foi duradouro. Circulava em todos os meios sem distinção de classe ou cor. Negra, orgulhosa, bonita.
Nega Tide morreu ontem. Tinha 64 anos. Boa parte deles vividos junto ao povo, ora participando do desfile da sua Escola, ora cozinhando para os amigos (a famosa “rabada da Tide”), ora às voltas com tantas atividades, sempre ligadas à sua cidade, Florianópolis. Neste carnaval seria homenageada pelo Bloco Unidos do Morro do Céu e – como sempre – sairia como destaque na sua amada Copa Lord. Leva com ela parte da grande alegria do carnaval de Florianópolis. Um carnaval que, no passado, no auge do reinado da Nega Tide, era mais espontâneo e único. Ver o povo nas ruas, dançando, sambando, saindo atrás das Escolas de Samba, eram belos espetáculos. E sem violência.