Mostrando postagens com marcador ferreira gullar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ferreira gullar. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de maio de 2011

O RONCO DA BABY

O ronco da Baby (*) - foto: elaine borges


O ron-ron dos gatinhos


Adriana Calcanhotto
Composição : Adriana Calcanhotto/Ferreira Gullar

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.



Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.



É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso ele faz ron-ron
para mostrar gratidão.



No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.



Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença - é carinho.

(*) Além do ron ron, minha amiguinha de quatro patas também ronca. Quando ela dorme, do seu peito sai um som muito parecido com o nosso ronco, aquele que, dependendo do volume, chega a tirar nosso sono. Por enquanto, o ronco da Baby ( que, devido ao frio, decidiu dormir comigo - digo "decidiu"porque gato se impõe, toma conta, faz o que quer e a nós, humanos, só resta obedecer) ainda não me perturbou. Ambas estamos curtindo esse friozinho gostoso do outono.

sábado, 25 de dezembro de 2010

UM DIA ESPECIAL


fotos: elaine borges

"Pequenino terror dos pássaros" como já dizia Cassiano Ricardo, hoje a minha gatinha tinha certeza que, da janela, poderia caçar alguns pequenos pássaros (andorinhas?) que sobrevoavam bem ali, pertinho dela. Pura ilusão. Uma rede à protege e também deixa-a frustrada por não conseguir ser ela mesma, uma gata caçadora, como todos os felinos. Mas sei que ela também gosta das suas almofadas, de passar as unhas no tapete, de ronronar quando se aconchega nos meus braços ("esse ronron em seu peito não é doença - é carinho" diz Ferreira Gullar)... Pois hoje, 25 de dezembro, Dia de Natal, um dia muito especial, cá estamos fazendo o que mais gostamos: eu lendo, olhando o mar através da janela, escrevendo... Ela tentando caçar passarinhos e, após alguns minutos no parapeito da janela, retorna à sala, escolhe um canto confortável e vai dormir.

quinta-feira, 12 de março de 2009

UMA NESGA AZUL DO CÉU

Foto: elaine borges


- Olha, a vida é uma cesta em que, quanto mais se põe, mais se deseja colocar. Estamos sempre partindo do zero. Hoje pinto um quadro ou termino de ler um livro. Fico satisfeito. Mas, amanhã, me pergunto: e agora?
Ferreira Gullar, um dos mais importantes poetas do país, responde assim a pergunta se, próximo a completar 80 anos (em 2010), era um homem realizado. A pergunta foi feita por Armando Antenore, em entrevista publicada na revista Bravo deste mês. E nela, há este belo poema inédito a sair no seu próximo livro, "Em Alguma Parte Alguma":

UM POUCO ANTES


Quando já não for possível encontrar-me
em nenhum ponto da cidade
ou do planeta


pensa


ao veres no horizonte
sobre o mar de Copacabana
uma nesga azul do céu


que resta alguma coisa de mim
por aqui

Não te custará nada crer
que sorrio ainda naquela nesga azul celeste
pouco antes de dissipar-se para sempre.