sexta-feira, 9 de abril de 2010

TANTAS LÁGRIMAS

foto: elaine borges

Difícil conter as lágrimas diante de tantas tragédias: mãe chorando a perda do filho; um homem solitário, desesperado, vendo um monte de lixo cobrindo os corpos de toda a sua família; lágrimas escorrendo nas faces de um homem; duas mulheres implorando para que os bombeiros fossem lá, no alto daquele monte de entulho, tentar resgatar os corpos da família; uma menina apontando o lugar onde antes ficava sua casa...Todos sofrendo, todos moradores de um morro cujas casas foram construídas sobre o que antes era um lixão. Construções permitidas pela prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro. Prefeitura que há quinze anos é governada pelo PDT, cujo atual prefeito tenta justificar o injustificável: permitir e até incentivar que famílias inteiras lá, sobre uma bomba-relógio, construíssem seus lares, creches, bares, igrejas. "Se eu pudesse evitar isso, com certeza teria evitado", disse o prefeito. Reação tardia. Hoje os mortos já passam de 200.

As equipes de resgate fazem um trabalho insano, tentando encontrar corpos debaixo de uma montanha de entulho. As informações dizem que serão necessários inúmeros caminhões para tentar retirar os corpos do Morro do Bumba - esse o nome do local da tragédia. Os que se salvaram, saíram com a roupa do corpo, sem nada mais. Saíram com vida, mas o que os espera pela frente? As autoridades locais darão o devido apoio a essa gente? Eles terão de novo lares dignos? As crianças terão escolas? Ou serão instaladas em locais impróprios, longe de tudo e de todos?

A tragédia no Rio já se repetiu em outras cidades. Nosso país têm inúmeras áreas de risco ocupadas por brasileiros pobres que não têm outra opção a não ser construir suas casas nessas regiões. Florianópolis está nesta lista: há moradores nos nossos morros correndo risco de, com a ocorrência de enxurradas, verem suas casas desmoronarem. Os morros foram ocupados sem planos de prevenção, sem estudo do solo, sem planejamento. A catástrofe de 2008, em Santa Catarina, pode se repetir. E até hoje ainda há famílias esperando novas casas. Em Florianópolis hoje se discute um novo Plano Diretor para a cidade. Essa é a oportunidade ímpar que temos de elaborar um plano respeitando a opinião dos moradores, sem privilegiar grupos econômicos que apenas visam lucro imediato. As tragédias de hoje não podem ter como culpados apenas os fenômenos naturais.

Que nossos olhos um dia derramem lágrimas de alegria por vivermos em cidades bem planejadas e não sujeitas a tanta tragédia como a que vemos no Rio.

domingo, 4 de abril de 2010

OUTONO CHEGANDO...

Lagoa da Conceição - foto: elaine borges
O ventinho sul soprando, chuva... Finalmente parece que o outono está chegando.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

FIM DA TARDE: CÉU AZUL, NUVENS...

Beira mar norte - foto: elaine borges

Céu azul, algumas nuvens: terminou assim o belo dia de hoje cá na Ilha de Santa Catarina.

MARCELA: A PLANTA ABENÇOADA

foto: reprodução
Sexta-Feira Santa tem cheiro de marcela (ou macela). Tem cheiro de infância. Sexta Feira Santa era dia de levantar muito cedo, antes do sol nascer e sair pelo campo, colhendo marcela, uma planta com perfume muito especial, forte, agradável. Em bando, lá íamos nós vendo o dia nascer e já sentindo o cheiro da planta milagrosa: a colheita feita de madrugada viria com as bênçãos de Deus. Considerada importante planta medicinal, é usada para má-digestão, cólicas abdominais, dor de cabeça, tosse... Mas na minha memória o que permanece é seu perfume, o cheiro que exalava dos travesseiros cheinhos de marcela.

quarta-feira, 31 de março de 2010

DESAFIANDO O PERIGO

foto: elaine borges

Cenas como esta - registrada hoje de manhã - têm sido comuns em Florianópolis: operários trabalhando nos andares mais altos dos prédios sem as mínimas condições de segurança.

SALVE A LAGOA - VITÓRIA PARCIAL

Lagoa da Conceição - foto: elaine borges

Vitória parcial! Está mais do que confirmado que quando há manifestações organizadas das mais diversas entidades, de líderes das comunidades, das ONGs, de pessoas preocupadas com o futuro de Florianópolis, os resultados aparecem. A boa notícia é esta: o prefeito Dario Berger adiou a entrega do Plano Diretor ao presidente da Câmara de Vereadores, Gean Loureiro. A decisão de adiar a entrega do projeto (que deveria ocorrer ontem) foi tomada devido às inúmeras manifestações das entidades que querem mudar e aprimorar o Plano Diretor. Segundo o prefeito, uma comissão especial será formada para receber sugestões das entidades e com a possibilidade de haver mais discussões em audiências públicas. Portanto, o prazo para entrega do Plano Diretor com as devidas modificações (espero) não tem data definida.

O movimento Salve a Lagoa vai continuar enquanto o item que trata da permissão para construir prédios de mais de dois andares não for revisado. O abaixo assinado já conta com mais de 3.000 assinaturas. Se você ainda não assinou, vá lá no http://www.salvealagoa.org.br/abaixo-assinado e manifeste sua opinião.

Mais informações também podem ser encontradas no site http://www.salvealagoa.org.br/ e no twitter http://twitter.com/salvealagoa

segunda-feira, 29 de março de 2010

SALVE A LAGOA

Lagoa da Conceição - foto: elaine borges

Que futuro queremos para Florianópolis? Não é este que consta no Plano Diretor que será apresentado amanhã à Câmara Municipal. Nele consta a permissão para construir prédios de quatro andares em toda a Lagoa da Conceição e de até doze no Campeche. Há dez anos, houve tentativas de aumentar o número de andares na Lagoa, a comunidade reagiu, um projeto de lei foi aprovado pela Câmara e sancionado pela então prefeita, Ângela Amin. Até hoje é proibido construir prédios com mais de dois andares em um dos mais belos recantos da Ilha.

Agora, fortes grupos econômicos, apoiados por políticos e legisladores municipais, defendem um Plano Diretor visando somente seus interesses. Esse não é o Plano “participativo” que as comunidades ajudaram a elaborar. O novo Plano foi feito por uma empresa contratada pela prefeitura. Mas uma parcela expressiva da população está mobilizada – entre elas a Associação dos Moradores da Lagoa da Conceição (AMOLA) - na luta contra mais essa tentativa de destruir nossos recursos naturais, aumentar o gabarito dos prédios, ocupar áreas de preservação limitada nas encostas dos morros...

O futuro que queremos para Florianópolis não é este. Queremos a manutenção da qualidade de vida (que já foi melhor); queremos um crescimento ordenado, equilibrado e não a exploração de nossos recursos naturais. Nossas belezas naturais devem ser preservadas. Queremos praias limpas, transporte urbano organizado... Como permitir prédios com mais andares se apenas 10% de Florianópolis tem esgoto sanitário? Se o sistema de distribuição de água potável é deficiente?

O movimento Salve a Lagoa está distribuindo um abaixo-assinado através da internet. Se você é um daqueles que se preocupa com o futuro de Florianópolis vá lá, assine, manifeste sua opinião.

sábado, 27 de março de 2010

HORA DO PLANETA

Ponte Hercílio Luz na escuridão - (foto: elaine borges)

O gesto é simbólico: para chamar a atenção da luta contra o aquecimento global, inúmeros monumentos mundiais, como a Torre Eiffel, em Paris, as três pirâmides do Egito, a Ópera de Sydney, a Fontana di Trevi, em Roma, permaneceram na noite deste sábado uma hora na escuridão. Foi a Hora do Planeta. Nós, cá na Ilha, também aderimos e nosso maior símbolo - a ponte Hercílio Luz - também ficou às escuras.

Foi o segundo ano que o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) organiza essa manifestação. No ano passado, a adesão foi de 88 países. Neste ano, 4 mil cidades de 125 países aderiram. Em Florianópolis, também as luzes da Praça XV foram apagadas. É mais uma manifestação para que líderes do mundo entrem em acordo para diminuir o aquecimento global. O gesto é simbólico. Há quem considere uma bobagem, mas continuo mantendo minha esperança, tanto que até as luzes do meu apartamento eu apaguei.

sexta-feira, 26 de março de 2010

CHUVA

foto: elaine borges

Estamos no outono. Nesta época, o tempo costuma ser maravilhoso: as cores mais suaves, calor ameno... Não é o que está acontecendo. A enxurrada das últimas horas causou problemas na região da Grande Florianópolis. Ontem, um pouco antes da meia-noite, a chuvarada já era forte e da minha janela pouco via a ponte Hercílio Luz. Segundo a Defesa Civil, há 500 pessoas desabrigadas, 400 em Antonio Carlos e 100 em Palhoça. Em São José, um homem morreu quando tentava atravessar um córrego. E a previsão é de que virá mais chuva nas próximas horas.


quarta-feira, 24 de março de 2010

FLORIANÓPOLIS, A SEMPRE AMADA


fotos: elaine borges

As declarações de amor à Florianópolis continuam. Tendo recebido várias manifestações de carinho por essa cidade tão maravilhosa, volto ao assunto. Duas amigas mandaram comentários. Outros (as) enviaram os textos deste blog para amigos distantes que também são encantados por nossa Ilha. E relendo o livro "Ilha de Santa Catarina - Relatos de Viajantes Estrangeiros Nos Séculos XVIII e XIX (edição da Assembléia Legislativa de SC/1979)" transcrevo outros trechos destes relatos. Passados mais de dois séculos desde que os viajantes por aqui passaram, a paisagem mudou, mas a Ilha - apesar dos maltratos - ainda é mágica. Até quando?

CASAS SIMPLES E ELEGANTES

(*) A maior parte dos habitantes da Ilha de Santa Catarina, e mesmo os da terra firme, dedicam-se à pesca: a baía fica às vezes coberta de suas rudes pirogas, manobradas cada uma por dois homens. Os peixes são tão abundantes, sobretudo uma espécie de peixe seco que eles chamam de "alvacore", que transborda em suas embarcações. Estes peixes servem como alimento à população e costumam dissecá-los sobre grades em volta de suas cabanas para a exportação em barcos de cabotagem. O interior das casas, sob o telhado, está quase sempre guarnecido de centenas destes peixes secos ao sol, e o odor que exala daí não é nada agradável para um europeu...

As casas vão até dois andares; a maior parte não tem mais que um, e existem muitas ao mesmo nível. Elas são construídas de pedra; o granito que compõe a soleira e o arco de abóbada das portas, empresta-lhes um certo luxo. Estão separadas com tabique e assoalhadas com planchas de madeira da região; seu interior é simples, asseado e elegante, mas sem luxo. As ruas são geralmente retas e sem calçadas. Não existe mais que uma praça, bastante grande, chamada "Santa Catarina"....Está também situado nesta praça o mercado, que funciona uma vez por semana, aos domingos.

(*) René Primevère Lesson foi o naturalista e participou da expedição comandada por Duperrey que navegou no "Coquille". Aportou em Santa Catarina em 16 de outubro de 1822 e aqui permaneceu 14 dias.

VISÃO EXTASIANTE

(*) De qualquer lado onde se ponham os pés na Ilha de Santa Catarina, descobrem-se sempre novas ocasiões para se extasiar ante a visão de inesgotável fecundidade da natureza. As florestas impenetráveis que cobrem as montanhas se prolongam por toda parte onde o cultivo não põe fim a seus progressos, conservando os vegetais cujas espécies são tão variadas como notáveis, por tratamentos que caracterizam suas diferenças.

Entre os pássaros, um dos mais belos desta região é a arara azul, cuja parte sob o corpo é de um amarelo puro ouro. Estes soberbos pássaros, assim como todos aqueles da espécie a que pertencem, não voam em grupos como os papagaios; estão quase sempre em casais e vê-se raramente seis ou oito juntos. Eles se agitam e gritam assim que eles percebem alguém. Situam-se de preferência sobre as grandes árvores, escolhendo os galhos mais altos para se empoleirar, sem contudo alcançarem o cimo destas árvores. Os frutos das palmeiras e das árvores selvagens das florestas constituem sua alimentação.

(*) Louis Choris, desenhista, participou da expedição do russo Kotebue ao redor do mundo, a qual chegou a Santa Catarina em 1815, tendo publicado, quatro anos mais tarde, o "Voyage pitoresque autour du monde" com outros companheiros de viagem.

ALEGRIAS E PREOCUPAÇÕES

Minha história é muito semelhante à de Elaine, autora do texto que transcrevo. Ela, admirável jornalista que é, tem muito melhor trato que eu, com as letrinhas e palavras. Elaine atravessou a ponte Hercílio Luz pela primeira vez em 1971. Eu em 1966. Decidi: aqui quero estudar, aqui quero viver e trabalhar. Para cá vim em 1968, e já se completaram 42 anos. As origens são diferentes: Elaine deixa a capital gaúcha, na época expoente econômico e cultural da região sul e eu Rio do Sul, modesta cidadezinha do interior catarinense. As alegrias e as preocupações de Elaine são minhas, e acredito de todos que amam esta cidade que completa seus 284 anos. Apesar e acima de tudo: eu também te amo Florianópolis! Parabéns! (Hella - professora aposentada).

Nossa cidade me parece está muito próxima do caos. Em geral as pessoas querem morar aqui, mas não desejam se envolver com suas questões, principalmente as classes política e de dirigentes.(Anônima).