Um Plano Diretor que propõe construir prédios de seis andares na Lagoa da Conceição; ocupação em áreas de preservação permanente; praias poluídas; falta de saneamento básico; trânsito caótico...Esses são alguns dos problemas de Florianópolis. Lamentavelmente, os problemas que resultam em agressão ao meio ambiente não se limitam só a Florianópolis. Há mais duas sérias ameaças a transformar nossa região mais deteriorada, atingindo as praias, a mata altântica, a fauna...
Uma é o projeto de construção de um estaleiro em Biguaçu pela OSX, empresa do multimilionário Eike Batista. O local escolhido foi Biguaçu, distante 17 km de Florianópolis. Sabe-se que o Ministério Público Federal solicitou à FATMA mais informações sobre o licenciamento fornecido a OSX. Outras entidades ambientais também estão se mobilizando, como o Instituto Chico Mendes que exige que o IBAMA faça os estudos de impacto ambiental.
A blogueira Paty, escreveu um longo texto sobre o assunto, do qual transcrevo os trechos abaixo:
(*) Este estaleiro tem por objetivo construir e reparar navios petroleiros, para atuar em outras empresas do empresário ligadas à produção de petróleo. Isso significa que seres marinhos, do molusco ao cetáceo, terão de conviver com tintas, graxas, arsênico, óleo e demais resíduos que um estaleiro de grandes embarcações e plataformas petrolíferas pode gerar. Com tantas águas já poluídas no imenso litoral brasileiro que poderiam ser utilizadas para este fim, Eike Batista (que já tem patrimônio de 27 bilhões de dólares, mas tem como objetivo de vida ser o homem mais rico do mundo) escolheu logo um lugar selvagem, de águas límpidas, para construir mais uma arma na sua escalada ao topo, arma essa que vai matar mais uma área ainda intacta da atuação humana destruidora .
(*) O local é totalmente inapropriado para este empreendimento. Isso porquê está localizado em meio a 3 unidades de preservação ambiental federais: Área de Preservação Ambiental de Anhatomirim (que abriga baleias francas e golfinhos, em Governador Celso Ramos), Estação Ecológica de Carijós (próxima as praias de Daniela e Jurerê, entre outras no norte de Florianópolis) e a Reserva Biológica do Arvoredo. Esta última, inclusive, por ter espécies em extinção, foi enquadrada na categoria mais restritiva de unidades de conservação, sendo proibidos mesmo a pesca e o turismo local; apenas uma pequena área é liberada para mergulho. Então, como é que agora, o órgão estadual justamente responsável por proteger o meio ambiente - a FATMA-, dá um parecer favorável ao projeto?? Não parece um contra-senso??
Nome em homenagem aos antigos moradores da Lagoa da Conceição que costumavam pegar muito siri nos seus balaios.Em especial a Lina Alexandrina, velha dama digna, rendeira, benzedeira, personagem rara de um lugar hoje totalmente transformado.E também porque, como os siris, aqui, um assunto puxa outro, passando por cinema,literatura,politica, assuntinhos leves, coisas da vida...
sexta-feira, 23 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
CHUVA? MELHOR FICAR EM CASA
fotos: elaine borges
Da janela, observei o dia. Lá, ao alcance dos meus olhos, a ponte Hercílio Luz . A chuva surgia, ia embora... Segundo os meteorologistas, o tempo instável com chuva intensa, em especial na região oeste, onde a situação já é crítica em várias localidades, vai continuar. A Defesa Civil está em alerta. Em dias como estes, conseguir táxi em Florianópolis é quase impossível. Ficar em casa foi a melhor opção. E foi o que fizemos, a Baby e eu, que adora enroscar-se em algum canto da casa.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
TORTURA: ALÉM DOS BOIS, AGORA OS CAVALOS
Triste fama. Além de ainda ser praticada no litoral de Santa Catarina a farra do boi (proibida por lei), surge mais uma pratica de tortura aos animais: a puxada de cavalos praticada no município de Pomerode, próximo a Blumenau e famosa por ser a mais alemã das cidades catarinenses. A "brincadeira" consiste em obrigar cavalos a puxarem sacos de areia e pedras colocados em uma carroça. O cavalo que conseguir puxar mais peso - em geral até duas toneladas - é o vencedor. Ver o animal puxar com imenso esforço tanto peso é revoltante e triste.
Pois neste domingo, os promotores da "brincadeira" - tradição de mais de trinta anos, dizem - ficaram revoltados com o protesto de integrantes da Associação de Proteção aos Animais de Blumenau (Aprablu) e partiram para a agressão. Atiraram paus e pedras nos manifestantes e também nos jornalistas que registravam o evento. A presidente da Aprablu, Bárbara Lebrecht, teve o fêmur fraturado e passará por uma cirurgia. Uma outra integrante da Associação, Patrícia Luz, também foi levada ao hospital e levou seis pontos na cabeça, resultado de uma paulada com um sarrafo.
As vítimas das agressões foram submetidos a exames no Instituto Geral de Perícias de Blumenau. Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil que tem prazo de 30 dias para a conclusão.
A puxada de cavalos não é proibida.
Pois neste domingo, os promotores da "brincadeira" - tradição de mais de trinta anos, dizem - ficaram revoltados com o protesto de integrantes da Associação de Proteção aos Animais de Blumenau (Aprablu) e partiram para a agressão. Atiraram paus e pedras nos manifestantes e também nos jornalistas que registravam o evento. A presidente da Aprablu, Bárbara Lebrecht, teve o fêmur fraturado e passará por uma cirurgia. Uma outra integrante da Associação, Patrícia Luz, também foi levada ao hospital e levou seis pontos na cabeça, resultado de uma paulada com um sarrafo.
As vítimas das agressões foram submetidos a exames no Instituto Geral de Perícias de Blumenau. Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil que tem prazo de 30 dias para a conclusão.
A puxada de cavalos não é proibida.
domingo, 18 de abril de 2010
PASSAREDO
fotos: elaine borges
MODA AVE
Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.
............................................................
A voz de um passarinho me recita.
Manoel de Barros
BRINCANDO DE LEMBRAR
foto: elaine borges (*)
Nas figuras de Franklin Cascaes o pião está nas mãos do menino pronto para girar...até dormir. Só que pião dorme em pé! Quando ele gira retinho, no eixo, e bem rápido, dizemos que está dormindo. Para fazê-lo rodar é preciso muita habilidade e ser bom de pontaria. Mas também é preciso ter muito cuidado. Tem menino que faz o que parece impossível: roda o pião na palma da mão, passa de um braço para outro e faz girar até na ponta da unha!
O trecho acima é de um livro delicado, bonito, que nos leva a lembrar da nossa infância. De quando brincávamos de rodar o pião, jogando-o no chão usando como impulso um cordão; de quando o supra sumo da felicidade era correr num vasto campo para que a pandorga subisse, o mais alto possível; ou então de andar sobre pernas de pau, com alturas que desafiavam nosso equilíbrio e nossa coragem. Telma Piacentini nos conduz a esse mundo, ao nosso cotidiano infantil, através do livro "Brincadeiras Infantis na Ilha de Santa Catarina" (Fundação Franklin Cascaes - Publicações), lançado na última quarta-feira. O livro é o resultado de uma pesquisa do acervo de esculturas de argila do Franklin Cascaes (1908/1983), um dos nossos mais importantes artistas, pesquisador e escritor.
Na pesquisa, a autora descreve várias brincadeiras, como o roda pião, bolinhas de vidro, pandorga, perna de pau, roda de aro, carrinhos de madeira, batizado de boneca...Cita ainda o trabalho transformado em brincadeira, como do menino brincando de fabricar farinha de mandioca, da menina raspando mandioca, brincando de engenho de açúcar, ajudando na pesca, malhando o Judas...
Este é um livro imprescindível para quem estuda a infância na cultura brasileira, os laços entre arte, cotidiano e memória e, principalmente, para quem deseja conhecer melhor as raízes do imaginário tradicional da Ilha de Santa Catarina, escreveu Gilka Girardello, ao apresentar tão delicado livro.
E conclui: "Em tempos como o nosso, em que a expressão "Ilha da Magia" foi banalizada pelo marketing e diante do rolo compressor da urbanização descontrolada, um livro como este é especialmente necessário e políticamente contundente. Ele nos ajuda a parar, a sentir, a olhar melhor para os que está à nossa volta e para os presentes da história. Telma Piacentini nos dá a ver um outro sentido da "magia" da cultura tradicional da região, um sentido que Cascaes também via, e que tem relação com os mistérios da memória e com a potência criadora sempre renovada da imaginação infantil".
(*) Capa do livro com um pião da minha coleção de brinquedos infantis.
domingo, 11 de abril de 2010
RESSACA NA PRAIA DA JOAQUINA
Praia da Joaquina (fotos: elaine borges)
Ontem, o mar estava mais calmo na Joaquina após uma ressaca que derrubou muros e ameaçou algumas residências nas praias do sul da Ilha. Mesmo assim, ninguém se arriscou a entrar no mar.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
TANTAS LÁGRIMAS
foto: elaine borges
Difícil conter as lágrimas diante de tantas tragédias: mãe chorando a perda do filho; um homem solitário, desesperado, vendo um monte de lixo cobrindo os corpos de toda a sua família; lágrimas escorrendo nas faces de um homem; duas mulheres implorando para que os bombeiros fossem lá, no alto daquele monte de entulho, tentar resgatar os corpos da família; uma menina apontando o lugar onde antes ficava sua casa...Todos sofrendo, todos moradores de um morro cujas casas foram construídas sobre o que antes era um lixão. Construções permitidas pela prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro. Prefeitura que há quinze anos é governada pelo PDT, cujo atual prefeito tenta justificar o injustificável: permitir e até incentivar que famílias inteiras lá, sobre uma bomba-relógio, construíssem seus lares, creches, bares, igrejas. "Se eu pudesse evitar isso, com certeza teria evitado", disse o prefeito. Reação tardia. Hoje os mortos já passam de 200.
As equipes de resgate fazem um trabalho insano, tentando encontrar corpos debaixo de uma montanha de entulho. As informações dizem que serão necessários inúmeros caminhões para tentar retirar os corpos do Morro do Bumba - esse o nome do local da tragédia. Os que se salvaram, saíram com a roupa do corpo, sem nada mais. Saíram com vida, mas o que os espera pela frente? As autoridades locais darão o devido apoio a essa gente? Eles terão de novo lares dignos? As crianças terão escolas? Ou serão instaladas em locais impróprios, longe de tudo e de todos?
A tragédia no Rio já se repetiu em outras cidades. Nosso país têm inúmeras áreas de risco ocupadas por brasileiros pobres que não têm outra opção a não ser construir suas casas nessas regiões. Florianópolis está nesta lista: há moradores nos nossos morros correndo risco de, com a ocorrência de enxurradas, verem suas casas desmoronarem. Os morros foram ocupados sem planos de prevenção, sem estudo do solo, sem planejamento. A catástrofe de 2008, em Santa Catarina, pode se repetir. E até hoje ainda há famílias esperando novas casas. Em Florianópolis hoje se discute um novo Plano Diretor para a cidade. Essa é a oportunidade ímpar que temos de elaborar um plano respeitando a opinião dos moradores, sem privilegiar grupos econômicos que apenas visam lucro imediato. As tragédias de hoje não podem ter como culpados apenas os fenômenos naturais.
Que nossos olhos um dia derramem lágrimas de alegria por vivermos em cidades bem planejadas e não sujeitas a tanta tragédia como a que vemos no Rio.
domingo, 4 de abril de 2010
OUTONO CHEGANDO...
Lagoa da Conceição - foto: elaine borges
O ventinho sul soprando, chuva... Finalmente parece que o outono está chegando.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
MARCELA: A PLANTA ABENÇOADA
foto: reprodução
Sexta-Feira Santa tem cheiro de marcela (ou macela). Tem cheiro de infância. Sexta Feira Santa era dia de levantar muito cedo, antes do sol nascer e sair pelo campo, colhendo marcela, uma planta com perfume muito especial, forte, agradável. Em bando, lá íamos nós vendo o dia nascer e já sentindo o cheiro da planta milagrosa: a colheita feita de madrugada viria com as bênçãos de Deus. Considerada importante planta medicinal, é usada para má-digestão, cólicas abdominais, dor de cabeça, tosse... Mas na minha memória o que permanece é seu perfume, o cheiro que exalava dos travesseiros cheinhos de marcela.
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